PÁSCOA: Alargar a tenda para a vida nova em Cristo

Padre Eduardo Rodrigues Magnani

Coordenador Diocesano de Pastoral,

Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha, de Estrela d’Oeste, e

Quase Paróquia São João Batista, de São João das Duas Pontes

 

A celebração da Páscoa não é apenas a memória de um fato ocorrido no passado, mas a atualização do mistério que fundamenta a nossa identidade cristã: a passagem da morte para a vida e do isolamento para a comunhão. Como nos recorda o apóstolo Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé” (1Cor 15,14). Mas a verdade é que Ele vive e caminha conosco.

No horizonte da nossa Diocese, viver a Páscoa exige de nós a coragem de uma conversão pastoral profunda. É um chamado que nos tira de nós mesmos e nos coloca em estado permanente de missão, conforme nos provocou o saudoso Papa Francisco na Exortação Evangelii Gaudium: “Ressuscitar com Cristo significa assumir a alegria do Evangelho como força que renova as esperanças e as estruturas” (n.276).

Reconhecemos o Ressuscitado não em teorias distantes, mas no caminho compartilhado e na fração do pão (Lc 24,30-31). É nesse encontro que os corações se ardem e os olhos se abrem para a caridade. A Páscoa, portanto, é o fundamento de uma Igreja que não teme as crises, pois sabe que a última palavra pertence à Vida.

Neste tempo de graça, o Instrumento Laboris das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil nos oferece o ícone bíblico da comunidade como tenda. Inspiramo-nos na profecia de Isaías que nos ordena: “Alarga o espaço de tua tenda, estende as lonas de tua habitação, não as poupes; alonga tuas cordas e firma tuas estacas” (Is 54,2).

Este movimento de abertura é a própria alma da sinodalidade. Uma Igreja sinodal é aquela que não se fecha em si mesma, mas que se torna uma “Tenda da Esperança” capaz de acolher a todos. Alargar a tenda pressupõe uma escuta atenta no Espírito, reconhecendo que o Ressuscitado fala através das alegrias e dores do Povo de Deus.

Para que essa tenda seja firme e não vacile diante das tempestades do mundo, precisamos “firmar as estacas”. No contexto das novas diretrizes, essas estacas são os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Missão. São elas que sustentam uma unidade diocesana que respeita a diversidade, mas não abre mão da comunhão fraterna.

Viver a Páscoa sob a ótica da sinodalidade é compreender que a Igreja é, em Cristo, “como que um sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”, como ensina a Lumen Gentium (LG n.1). Não caminhamos como indivíduos isolados, mas como um povo orante.

Esse testemunho exige que também removamos as pedras da indiferença e do clericalismo que, por vezes, impedem o florescer de uma Igreja viva. Que a nossa Diocese, ao celebrar a vitória da Vida, transfigure-se em um ambiente de acolhida mansa e corajosa, onde cada batizado se sinta verdadeiramente corresponsável pela obra da evangelização.

Que a alegria da Ressurreição nos impulsione a ser uma Igreja em saída, que firma suas estacas na oração e alarga suas lonas no serviço ao próximo. Que o mundo creia que o Senhor verdadeiramente ressuscitou e faz novas todas as coisas. Uma santa e abençoada Páscoa a todos que, sob o olhar de Maria, buscam ser luz e esperança no caminhar diocesano.

 

 

Estrela d’Oeste 05 de abril de 2026.

 

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