Pe. Vitor Rafael da Silva Aguiar
Assessor eclesial de Liturgia e Vigário da Catedral de Jales
Percorrendo o tempo Quaresmal, a Igreja que ainda peregrina de forma intensa no deserto da humanidade com orações, jejuns e abstinências, agora adentra, na Semana Santa, à Jerusalém, e com Jesus Cristo, o Filho de Deus, caminha em direção ao Calvário para culminar o Seu amor pelos homens e mulheres. Morrendo na cruz, o amor é evidenciado. Ressuscitando, a esperança é restaurada.
Celebrar a Semana Santa é, portanto, reviver todo o mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo e N’Ele configurar o maior gesto idealizado a humanidade pecadora: o amor Redentor! Este amor de Jesus age como um meio transcendente, mas que também emerge em cada coração humano como a maneira Divina de fortalecer a fé e comunhão entre os homens e a Deus.
A morte de Jesus é causa e motivo de sua missão: de dar a vida em favor de todos, especialmente dos mais necessitados: pecadores, pobres, abandonados e oprimidos. Afinal, (Cf. Jo 14, 6) Ele é o caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai sem a Sua presença que salva, liberta e santifica. Entretanto, a existência do Filho de Deus vai além, pois afinal Ele ressuscitou.
Nas palavras do Papa Leão em sua Audiência geral em outubro de 2025: “A ressurreição de Jesus Cristo é um acontecimento que nunca deixamos de contemplar e meditar, e quanto mais nos aprofundamos nele, mais nos enchemos de admiração, atraídos como que por uma luz insuportável e ao mesmo fascinante. Foi uma explosão de vida e alegria que mudou o significado de toda a realidade, de negativo para positivo; contudo, não aconteceu de forma dramática, muito menos violenta, mas de forma suave, oculta, quase humilde.”
Ressuscitando, Jesus traz consigo a esperança e o poder para que cada cristão afirme: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos deu” (Cf. Rm 5, 5)
Ao Cristo que é Alfa e Ômega, Principio e Fim e que a Ele pertence o tempo e a eternidade, possamos cantar as maravilhas de Deus pela ressurreição do Seu Filho conforme nos abrilhanta a Proclamação da Páscoa: Exulte o céu e os anjos triunfantes, mensageiros de Deus desçam cantando. Façam soar trombetas fulgurantes, a vitória de um Rei anunciando. Alegre-se também a terra amiga que em meio a tantas luzes resplandece. E, vendo dissipar-se a treva antiga, ao sol do eterno Rei brilha e se aquece. Que a mãe Igreja alegre-se igualmente erguendo as velas deste fogo novo. E escutem reboando de repente, o aleluia cantado pelo povo.
Jales, 24 de março de 2026.