Diocese de Jales

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Artigos › 24/10/2019

VIVER EM COMUNIDADE

Os primeiros seguidores de Jesus perseveravam nos seus ensinamentos. Organizavam comunidades. Tinham tudo em comum. Os bens eram repartidos. Viviam unidos e alegres. Frequentavam o templo, assistiam aos doentes. Cada um cumpria as tarefas de sua responsabilidade. Eram todos iguais nas diferenças (At 2,42s). Anunciavam a Palavra e davam testemunho com coragem (At 4,31s). Repartiam o pão, celebravam a Eucaristia nas casas.

As Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o quadriênio – 2019 a 2023, aprovadas na 57ª Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida (SP), são um chamado de retorno às fontes. Inspirados pela experiência das comunidades primitivas, atuamos na realidade urbana formando e fortalecendo as comunidades.

Viver em comunidade é desafiador porque se contrapõe aos valores dominantes da sociedade em que é valorizada a individualidade, o consumismo, a tolerância com a violência e o preconceito. São comuns a situações de exclusão de toda a ordem e que oprimem o ser humano. Os bons valores adquiridos na vida familiar, que antes nos eram tão importantes como referência para o bem viver, como o respeito ao outro e o zelo pelos bens coletivos, têm-se mostrado enfraquecidos para responder às situações novas, deixando as pessoas desnorteadas, estressadas e frustradas.

 Os valores deste mundo trazem a competição e a luta pelo poder. São valores não cristãos que influenciam até as nossas relações na igreja. O fenômeno do individualismo tem penetrado os ambientes religiosos na busca da própria satisfação, prescindindo do bem maior do amor de Deus e do serviço ao semelhante. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (conf. 1Sm. 3,9-10), mas é a ilusão de que Deus está a serviço das pessoas.

O desafio da vida em comunidade de igreja está colocado neste ambiente. A experiência das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs nos oferece orientação de como atuar na história hoje. No início da década de 1960, nascia as CEBs, decorrente de experiências anteriores. Surgiram da necessidade do povo se unir, para melhor participar da Igreja, estudar as sagradas escrituras e com elas aprender a fraternidade proposta por Jesus. Uma fraternidade que se realiza no cumprimento dos direitos dos excluídos, o que contempla o envolvimento do cristão na tarefa de transformação das realidades para que haja “vida em abundância” (Jo 10, 10) para todos. Desde então as CEBs são regadas com muita fé, celebrações, alegria e esperança. Muitos mártires, a exemplo de Jesus e dos primeiros Cristãos, têm regado essas comunidades com o próprio sangue.

Viver em comunidade sempre requereu, e vale para os dias atuais, a vivência da fé e o compromisso de conversão para a caridade fraterna, a justiça e a paz. De acolher o convite com novo ardor, novos métodos sem perder a referência que Jesus Cristo é o centro.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023), da CNBB, nos falam de uma realidade urbana, fragmentada, carregada de luz e de sombras, mas também cheia de potencialidades, na qual a Igreja é convidada a ser presença. Como casa. Como comunidade eclesial missionária. As comunidades devem ser luzeiros no mundo e estar presentes em todo e qualquer lugar: no bairro, na praça, no trabalho, nos grupos de família e nas obras sociais.

Elza Maria de Andrade
Professora e membro da Pastoral da Cidadania de Jales

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