Diocese de Jales

Artigos › 23/06/2020

PRECISAMOS MUDAR!

Ouça e compartilhe!

O Brasil se tornou, tragicamente, um dos protagonistas mundiais na pandemia do novo Coronavírus, em números de contaminados e vítimas fatais. Isso se deve sobretudo à irresponsabilidade de seus governantes e de uma parcela da população que se concentrou em uma onda de discussões partidárias em questões de saúde pública, deixando de agir de forma responsável na proteção da vida.

Muitos se esquecem que, quando os números sobem, cresce a angústia de famílias que têm seus entes queridos sepultados sem qualquer despedida ou cerimônia, totalmente distante do carinho que é próprio de nosso povo. Atitudes incoerentes e irresponsáveis geram, por fim o colapso do sistema de saúde já debilitado, com recursos e investimentos congelados e insuficientes para atender a real necessidade de usuários, colocando ainda em risco a vida dos profissionais da saúde que estão na linha de frente.

Estamos vivendo, ao mesmo tempo, uma tempestade de Fake News. As notícias falsas contaminam mais que o vírus e têm igual potencial devastador. Compartilhar uma informação sem o conhecimento da fonte e verificar os fatos, nos torna parte dessa corrente de desinformação que distorce a realidade e favorece conflitos.

Quando não assumimos nossa responsabilidade de conhecer como é organizada e financiada a nossa rede pública de saúde, de informarmo-nos das contas e da administração de nossos municípios, favorecemos o enfraquecimento dos serviços de saúde, que se mostram ainda mais essências neste tempo de pandemia e deixamos de assumir nosso compromisso com a vida.

Em uma carta às monjas de Cássia, o Papa Francisco afirma: “não nos resignemos ao sofrimento nem à morte, mas nos coloquemos em caminho para construir o futuro que Deus quer realizar para todos os seus filhos”. Assumir esse compromisso é um desafio urgente.

No filme “Dois Papas”, que ilustra situações reais e fictícias, os atores que representam o Papa Bento XVI e o então cardeal argentino, Jorge Mário Bergoglio, que se tornaria Papa Francisco, questionados sobre suas posições e o futuro da Igreja comentam sobre mudança e compromisso.

Eles apontam questões sobre como podemos mudar ao longo da vida e quais as formas de nos comprometermos. Hábitos, posturas, pensamentos e comportamentos, às vezes precisam evoluir. Por isso, as mudanças, realmente, para serem reais implicam compromisso.

As mudanças devem, também, ocorrer no comportamento daqueles que assumem cargos públicos em função de assegurar saúde para todos. Elas dependem diretamente de nossa atuação organizada. Adiadas ou não, teremos eleições municipais. O comportamento dos eleitores decidirá os rumos dos serviços básicos e essenciais.

As eleições ainda estão por vir, mas podemos nos comprometer desde agora, defendendo políticas públicas que salvam vidas e que atendam às reais necessidades da população. Participar ativamente, construindo diálogos e debate de projetos nos aproxima ainda mais das mudanças que desejamos.

Se o caminho que percorremos no Brasil, até aqui, nos impõe enormes desafios, fica evidente que precisamos mudar. A principal força de transformação do povo brasileiro será o compromisso de cada um. São Francisco de Assis nos indica como: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível”.

Vitor Inácio Fernandes da Silva

Assessor de Comunicação da Diocese de Jales e Jornalista das Rádios Assunção e Regional FM

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