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Artigos › 18/09/2020

MORTE E ESPERANÇA EM TEMPOS DE PANDEMIA

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Estamos convivendo desde o início deste ano de 2020 com uma epidemia que ficou conhecida como Covid-19 e que se espalhou pelo mundo. Aos poucos fomos nos dando conta da rapidez como esse vírus se espalhou, levando a todos nós, de todas as classes sociais, a uma mudança radical em nossas vidas, desde o isolamento social até o uso de máscaras protetoras.

No Brasil, estamos há seis meses no isolamento social, com as orientações e normas que devem ser seguidas. Hoje,em nosso país, já passamos de 130 mil mortes. Na região de Rio Preto,que abrange a Diocese de Jales, já temos mais de 1700 mortes pela Covid-19, números esses que inevitavelmente aumentarão nas próximas semanas.

Quantas vidas já foram ceifadas? Neste período,é triste vermos os noticiários e as redes sociais mostrarem o aumento do número de contaminados e consequentemente, de mortes. Hoje, esta realidade se faz presente no meio de todos; pessoas anônimas e famosas e, podemos afirmar, com sentimento de tristeza, que ela está também nas pequenas cidades, atingiu nossos conhecidos e nossas famílias.

A morte, em cada cultura, religião ou credo, tem o seu significado, seu ritual. A morte ainda é um dos maiores mistérios da vida. É inevitável nos questionarmos o porquê temos que nos despedir de alguém que amamos ou mesmo temer o nosso próprio fim. Mas, mesmo assim, no momento final de nossa vida terrena, familiares e amigos se reúnem para fazer as suas orações e despedirem-se do falecido.

No momento que estamos vivendo, inúmeras famílias e amigos que perderam seus entes queridos para esse vírus, nem sequer podem velar o corpo, despedir-se de pais, mães, filhos, avós e amigos, e não lhes acompanhar à sepultura, que aqui na terra é a nossa última morada.

Fica uma sensação de indignação e abandono diante desse fato.O que fazer quando essa realidade se torna presente em nossa vida? A Bíblia é a palavra de Deus e o grande livro da esperança. Por ela, homens e mulheres são inspirados pela promessa do Pai. Nossa razão de viver está apenas em Deus. Se Deus é por nós, quem será contra nós? (cf.Rm 8,31).

Diante dessa situação pelas quais estamos passando, fica apenas uma certeza:ter esperança e fé é confiar na providência de Deus,é buscar o seu Reino. Tudo é possível, “se creres farás obras maiores do que as que eu faço” (Jo 11,27). A esperança tem sua raiz na fé. A fé é a segurança do que se espera. “Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,25).

Somos, portanto, chamados, em meio a esta realidade,a nos configurar a Cristo que ressuscitou mortos e venceu a própria morte. Que a exemplo do Bom Samaritano que “viu, sentiu compaixão e cuidou“, devemos também ter a mesma atitude diante de tantas pessoas que perdem seus conhecidos e familiares.

Se ainda não estamos fazendo a nossa parte, sejamos solidários, fraternos, justos, generosos e unamo-nos em oração a essas famílias. Hoje, isso se torna muito necessário e vale mais que um abraço, que ainda não podemos dar.

Padre Edevaldo José Furlanetto

Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Aparecida d’Oeste

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