Diocese de Jales

Liturgia Diária / Evangelho:

|

Santo do dia:

Artigos › 19/07/2019

Causas de trabalhadores

No dia 11 de julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu pela suspensão da reintegração de posse do acampamento Quilombo Campo Grande, localizado no município de Campo do Meio-MG. Essa definição beneficia 450 famílias que, há 20 anos, vivem e produzem na terra, café, milho, feijão, mandioca, amendoim, ervas medicinais, frutas e hortaliças. A área é disputada desde 1998. São 21 anos que a justiça demorou a julgar em favor dos pequenos.

Neste domingo (21), realiza-se a 20ª “Romaria da Terra e das Águas” do Estado de São Paulo, em Pirajuí. O lema expressa o sonho dos oprimidos: “Estaremos todos/as unidos/as para que nossos direitos não sejam esquecidos”. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) organiza a Romaria, na utopia de “Terra, Água, Justiça e Liberdade”.

Nos dias 7, 8 e 9 de agosto, será realizado em Jales, na Escola Vocacional, o 4º Seminário de Agroecologia e Agricultura Orgânica, como também a 10ª Feira de Sementes Crioulas, Orgânicas e Biodinâmicas do Estado de São Paulo. São ações de grupos idealistas que proporcionam avanços por uma sociedade mais sadia. Essas realizações ocorrem graças aos pequenos produtores, que garantem 75% da alimentação básica da população brasileira.

Estas ações coletivas são apoiadas por Comunidades Eclesiais de Base, movimentos de trabalhadores, núcleos urbanos e agrários. São movimentos sociais que se organizam em busca de mudanças, sobretudo com relação à posse da terra e de moradia, que implicam  oportunidades de trabalho por uma vida digna, sem opressão, sem injustiças sociais. Os movimentos sociais são agrupamentos humanos  que  procuram saídas para situações opressoras coletivas, por meio de informações e ações. Há movimentos que agregam cidadãos de diversas classes sociais e outros que unem pessoas de um mesmo segmento, como desempregados, sem-terra e sem teto. São cidadãos que lutam  pela  justiça social.

Da mesma forma que os movimentos vão se fortalecendo nas lutas, na mudança de hábitos, por exemplo, sobre “Meio Ambiente” – uma visão social de ecologia, também outras causas, como saúde, educação, moradia, trabalho, terra, produtos orgânicos, liberdade, são assumidas para a construção de nova civilização, na qual reine justiça, igualdade, paz e solidariedade. A democracia não se restringe a eleições para cargos políticos. Ela garante que a população se manifeste  segundo  suas  necessidades. Os movimentos sociais expressam as demandas populares. As lideranças de tais movimentos participam intensamente nas reflexões, estudos, mobilizações, para ampliar o conhecimento conforme as carências existentes.

Ao citar a decisão do juiz sobre a vitória das famílias produtoras no Quilombo, quero destacar que também a lei existe para os pobres, embora a justiça retarde demais para fazê-la cumprir-se. Ainda desejo ressaltar que a participação nesses movimentos não desmerece nem diminui ninguém. Pelo contrário, essa atitude indica uma consciência altruísta, de quem sai de seu conforto e comodismo, para lutar pelo bem comum. Acredito em ações cidadãs, com riscos de erros, mas com devidas avaliações, os caminhos serão corrigidos. Aprendamos a respeitar as posições diferentes, seja dentro de casa, seja no trabalho  ou em qualquer outro lugar. A participação ativa, sem fanatismos, há de superar erros e construirá benefícios coletivos.

Por Pe. Antônio de Jesus Sardinha – Vigário Geral da Diocese de Jales

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.