Revolução na produção orgânica

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Voltemos nosso olhar para uma realidade humana desafiadora, que é a saúde, que por sua vez garante o cuidado para com os seres criados, a própria criação, espírito do lema da Campanha da Fraternidade 2017, cujo tema é: “Biomas Brasileiros e Defesa da Vida”.

Pe. Antônio de Jesus Sardinha, Vigário Geral da Diocese de Jales

A Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), afirma que “a segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis”. LOSAN (art. 3º).

Cuidar da criação implica no Direito Humano à alimentação adequada. “A alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população”. LOSAN (art. 2°).

Existe publicação de pesquisa com camundongos alimentados com agrotóxicos e transgênicos resultando na multiplicação do câncer. Temos nos assustado com tanto câncer na população, até mesmo de trabalhadores e residentes na área rural. Eis que surge a necessidade do empenho na produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, sem transgênicos, ao alcance de toda população.

Um grupo de pessoas, a Associação dos Produtores Orgânicos de Indiaporã e Região (APOIAR), apresenta uma verdadeira revolução na produção orgânica, propondo um “Fórum Permanente de Agroecologia e Produção Orgânica”, para conscientizar, estudar, tirar dúvidas, debater, e fazer a experiência prática com produtores, técnicos e consumidores.

No dia 15 de fevereiro, foi realizado o 4° Encontro desse Fórum, saindo a programação de um Seminário com seis módulos, nas últimas quartas-feiras dos meses de março a agosto, das 8h às 18h.

Ali foram partilhadas algumas experiências, com conversas produtivas entre produtores, consumidores e técnicos. Estavam presentes produtores de diversas cidades de nossa região, como Jales, Fernandópolis, São João de Iracema, São José do rio Preto, Frutal…

Este Fórum tem um lema: “União e Organização”. Surgem desafios diversos. A cultura do produtor que só aprendeu usar agrotóxico. O consumidor que só quer o barato, bonito e gostoso… E a sociedade que não dá garantias… O produto precisa de selo de certificado de Produção Orgânica (Lei 10,831). Eis a importância da União, para a Certificação Participativa, despesas conjuntas, barateando, permitindo que o produto seja mais competitivo, mais ao alcance de todos.

Cresce a consciência de que é importante uma alimentação com produtos orgânicos, e consequentemente de que é necessário e possível produzi-lo. Tudo precisa de tempo, para preparar o solo, plantar, nutrir as plantas, aguardar seu crescimento, sua maturidade, para levar ao consumo, com a garantia expressa no Selo do Certificado da ECOFAM.

Jales vai ter, a partir de abril, um local (no “Comboio”) para receber essa produção (tipo “mini – ceasa” de produtos orgânicos), compondo os produtos necessários para uma refeição (Arroz, feijão, verduras, legumes, mistura…).

Concluindo o Fórum, fomos conhecer o espaço que está sendo preparado para uma horta orgânica. O Sr. “Careca” está começando a acreditar que é possível. Apareceu um sapo durante a conversa. É sinal de que a vida é possível…. Um dia, para parar de engolir sapo, os produtores terão que se organizar em cooperativa.

“Eu quero ver acontecer, sonho bom, sonho de muitos”

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