Diocese de Jales

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Artigos › 18/06/2019

Que tipo de amor quero receber?

O Livro do Gêneses nos fala que o ser humano foi criado por Deus, à sua imagem e semelhança. Deus incutiu nele atributos que nenhum animal, nenhum ser possui: inteligência, liberdade entre outros. E entre eles está a capacidade de amar. O ser humano traz essa capacidade devido a sua criação, já escrita em seu coração. De modo que todos nós corremos a nossa vida inteira, saibamos ou não, para amarmos e sermos amados. Ninguém pode fugir disso, faz parte de nós. Tudo o que fazemos em nossa vida faz parte desse desejo instintivo de realizarmos aquilo para o qual Deus nos criou: amar, ser felizes, adorá-Lo.

Por que sofremos tanto, então? Porque, muitas vezes, não conseguimos visualizar tudo isso que está em nós, e que, ao mesmo tempo, todas as nossas atitudes vão ao encontro de realizar todo este desejo do nosso coração. No entanto, por não reconhecermos que a sede da nossa alma está em Deus, vamos procurar realizar a nossa felicidade em outras coisas, pessoas, lugares… A nossa felicidade está em Deus e não há outro lugar em que podemos ser completos, senão n’Ele. É Ele e somente Ele que pode completar aquilo que falta em nossa alma, que pode saciar a nossa sede, que pode nos dar aquilo que, no mais íntimo do nosso ser, desejamos.

Criados para amar

Nesta sede de amar, de nos realizar, de sermos felizes, buscando a felicidade nas coisas e nas pessoas, ferimo-nos profundamente. Ao comprovar que nos decepcionamos, frustramo-nos, porque a sede da nossa alma é muito grande. Naturalmente, esperamos muito dos outros, esperamos uma reação de alguém, uma palavra amiga, um gesto de carinho, sua presença, afeto, amor. E quantas expectativas geramos em nosso interior ao perceber que estamos nos doando, muitas vezes, sem reservas para alguém em um relacionamento de amizade, namoro ou em outro relacionamento. À medida que vamos nos entregando a essa pessoa, vamos percebendo que, em algum momento, ela pode não nos corresponder o suficiente, de acordo com o que esperávamos e ansiávamos. Então, começa a surgir a frustração, a desilusão e a decepção.

Quem nunca se decepcionou com alguém? Penso que todos, em algum momento da vida, já passaram por isso. Logo depois, veio aquele sentimento de não mais querer investir em ninguém, de não mais se empenhar nisso. E, assim, muitas vezes, começam a surgir os votos íntimos: “Não vou gostar mais de ninguém” e “Não dou certo com ninguém!” ou “Nasci para viver sozinho”… Quantas coisas a gente vai decretando sobre nossa vida, mesmo sem perceber, frutos da desilusão. Fato este inevitável, pois nós somos humanos e, afinal, somente Deus nos completa naquilo que a nossa alma necessita.

A presença de Deus em nossa vida

O Senhor, a todo o momento, revela o Seu amor e presença por meio das pessoas. E buscar ter uma alma completa n’Ele impele que O busquemos nelas. E ao fazê-lo, muito mais do que o outro possa nos oferecer ou ser para nós, buscamos a presença de Deus nele, a fim de que nossa alma possa ser complementada. Dessa forma, paramos de buscar as pessoas simplesmente, mas sim, Deus nelas.

Pelo batismo no Espírito Santo, tornamo-nos templos vivos do Senhor. Ao entrarmos em uma capela para rezar ou adorar ao Senhor, não levamos nada dela, a não ser o brilho e a presença de Deus em nós, pelo contato com Jesus Eucarístico. Da mesma forma, ao entrarmos nas “capelas” particulares dos demais, não podemos querer levar ou exigir nada deles, vamos lá para “adorar” a presença de Deus neles.

Quando experimentamos que somente Deus é quem pode nos fazer felizes e que não nos decepciona jamais, é que podemos nos sentir livres para não esperar dos outros aquilo que somente o Senhor pode nos oferecer, mas que nos é revelado também por meio das pessoas.

Que o nosso coração possa, realmente, ser preenchido pela felicidade que Deus pode nos dar. Amemos o Senhor!

Por Enilson Martins Benício, missionário da Comunidade Canção Nova, via Canção Nova

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