ORIENTAÇÕES PASTORAIS E LITÚRGICAS PARA A QUARESMA - Diocese de Jales

ORIENTAÇÕES PASTORAIS E LITÚRGICAS PARA A QUARESMA

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Jales, 10 de fevereiro de 2018.

Estimados irmãos, estimadas irmãs,

Apresento-lhes aqui, algumas orientações pastorais e litúrgicas para a Quaresma, com o intuito de ajudar nossa Igreja Particular a viver e celebrar convenientemente, durante esse tempo, a passagem da morte para a vida, em Cristo.

A oração, o jejum e a esmola são exercícios espirituais próprios da Quaresma, que enfatizam a qualidade de nosso relacionamento com Deus, de nossa vida pessoal e de nossa vida em sociedade. Orientados por essa tríplice dimensão, percorramos um caminho marcadamente penitencial, em direção à plenitude da graça em Jesus Cristo, progredindo em nossa experiência libertadora, inspirados na problemática da violência abordada pela Campanha da Fraternidade, e no Ano Nacional do Laicato, que visa estimular os cristãos leigos e leigas a serem sujeitos na Igreja e na sociedade, como “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14).

De uma forma ou outra, somos cúmplices da violência, cometendo-a, reproduzindo-a ou omitindo-nos de agir para superá-la. Deus nos convida à penitência e à conversão. O livreto da Campanha da Fraternidade, sobre essa temática, editado pela Diocese, deve ser amplamente utilizado nas Paróquias e Quase-Paróquias, para a reflexão e as orações de grupos de família, comunidades, pastorais e movimentos. O “Questionário” do Ano Nacional do Laicato deve, também, ser amplamente utilizado em função do diagnóstico comunitário, paroquial e diocesano sobre as dificuldades que os cristãos leigos e leigas têm encontrado para participar na vida eclesial e atuar na vida social, com vistas a programas de formação que os ajudem a superar essas dificuldades.

A liturgia desse tempo deve expressar simplicidade. A decoração do espaço celebrativo deve ser sóbria. As flores devem ser evitadas, exceto no IV domingo da Quaresma (“Laetare”) e nas solenidades e festas desse tempo. Usa-se a cor roxa como sinal de contrição. A toalha do altar nas celebrações é sempre branca, no entanto, o mesmo pode ser coberto com toalha roxa, fora das celebrações. A cor rosa pode ser utilizada no domingo “Laetare”.

A abstinência deve ser valorizada, sobretudo na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. O jejum deve estar associado a gestos de caridade e justiça social, conforme Isaías 58,6-7. O gesto da imposição das cinzas preparadas com ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, expressam o desejo sincero de conversão e seguimento de Jesus. É importante ressaltar nesse tempo a importância das confissões e da Via Sacra da Fraternidade.

Os instrumentos musicais devem ser menos expressivos. Valoriza-se mais o Ato Penitencial, utilizando-se gestos, por exemplo, ajoelhar-se e inclinar-se; símbolos relacionados ao tema da Campanha da Fraternidade e aspersão do povo. Omite-se o canto do Glória. Não se canta Aleluia. A oração da Campanha da Fraternidade pode encerrar as preces dos fiéis ou ser recitada após a oração pós- comunhão. É oportuno utilizar as Orações Eucarísticas da Reconciliação.

Deve-se evitar a fixação de cartazes, mesmo da Campanha da Fraternidade, no altar e no ambão. As cruzes e as imagens podem ser cobertas desde a Quarta-feira de Cinzas, onde há esse costume, sem ser obrigação, podendo neste caso, as cruzes ficarem cobertas até o final da Celebração da Paixão, na Sexta-feira Santa, e as imagens até o sábado, antes de se iniciar a Vigília Pascal. Evite-se neste tempo, as palmas, até mesmo durante os cantos, o abraço da paz e os cantos para aniversariantes. Utilizem as bênçãos solenes propostas no Missal Romano.

A comunidade deve ser esclarecida sobre o gesto concreto da Campanha da Fraternidade, desde o início da Quaresma. Deve-se valorizar a coleta para os Lugares Santos, na Sexta-Feira Santa, para ajudar refugiados e comunidades cristãs perseguidas, principalmente na Terra Santa.

Nas celebrações de Ramos, onde não houver missa, não deve haver Benção dos Ramos. Para a Missa dos Santos Óleos, dia 27 de março, na Catedral, os administradores paroquiais deverão estar acompanhados de representantes leigos e leigas de suas respectivas Paróquias e Quase-Paróquias lembrando o caráter real, profético e sacerdotal de todo o Povo de Deus. Serão enviadas orientações sobre a participação dos mesmos nessa missa. Nela, os presbíteros renovam os seus compromissos sacerdotais e pastorais.

Na Quinta-Feira Santa, no final da celebração, não há benção final e nem procissão solene com o Santíssimo Sacramento. O tabernáculo deve estar vazio no início da celebração. Devem ser consagradas partículas para a própria celebração e para a comunhão na Sexta-Feira Santa. A reserva eucarística que servirá para a comunhão dos fiéis na Solene Ação Litúrgica na celebração da Paixão do Senhor, deve ser transportada em uma âmbula coberta por véu, até o local ornado, diante do qual haverá a Vigília Eucarística. Os fiéis sejam exortados a fazerem pelo menos uma hora de vigília, na Quinta-feira Santa, após a celebração da Ceia do Senhor, ou na sexta-feira pela manhã, em profunda comunhão com o Senhor em sua Paixão. Orientações mais detalhadas sobre a Semana Santa serão disponibilizadas no site da Diocese em “Dicas Litúrgicas”.

A cor usada na Solene Ação Litúrgica na Sexta-Feira Santa, às 15h, é a vermelha, ressaltando a realeza e o martírio de Jesus. Valorizar a procissão da Sexta-Feira Santa à noite com a imagem do Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores. A referida procissão está no coração do povo cristão católico e constitui-se numa oportunidade singular para evangelização sobre o significado do sofrimento, da morte e da vitória de Jesus.

Conforme diz o Papa Bento XVI, “Deveríamos aprender, mais uma vez não só teoricamente, mas na modalidade do pensamento e da ação, que além da presença real de Jesus na Igreja, no Santíssimo Sacramento, existe aquela outra presença real de Jesus nos pequenos, nos mais espezinhados deste mundo, nos últimos, nos quais Ele quer ser achado por nós. Acolher esta verdade de modo novo é a exigência decisiva que a Sexta-feira Santa nos faz a cada ano…”

Deve-se preparar com muito esmero o espaço celebrativo para a Solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”. O Círio Pascal ornamentado deve permanecer junto ao ambão e ser aceso em todas as celebrações do Tempo Pascal, apagado solenemente na missa vespertina do Domingo de Pentecostes, levado para junto da Pia Batismal e ser aceso nas celebrações de Batismo, Crisma e Exéquias.

Os Ministros Leigos e Leigas da Palavra, tendo a aprovação do Administrador Paroquial, podem presidir o Tríduo Pascal, nas suas respectivas comunidades, com as adaptações litúrgicas necessárias.

Que ao longo desse tempo, possamos refletir, orar e atuar como pessoas livres e libertadoras em Cristo, superando com Ele, todos os tipos de violência que destroem a vida.

Desejo a todos e a todas um frutuoso “Caminho Pascal”.

Dom Reginaldo Andrietta
Bispo Diocesano de Jales

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