NOVO ANO COM NOVOS HORIZONTES

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Iniciamos 2017 suplicando a Deus um ano abençoado, pois nossos desafios no Brasil são imensos. Necessitamos de novos horizontes. Oxalá tenhamos aproveitado a passagem de ano para darmos uma “ajeitadinha na casa”. Refiro-me a nós mesmos. Senão, ainda há tempo. Após tantos morteiros, rojões e shows pirotécnicos, contraditórios com o tempo de crise, vale a pena olharmos para nós mesmos, na busca de reorientar nossas vidas, eliminando o risco de seguirmos um rumo incerto, tal qual nosso país.

Que tal, então, dedicarmos um tempinho especial à meditação, a uma análise mais profunda sobre nossa maneira de ser, agir e coexistir, e a uma boa conversa com Deus, buscando luzes para o caminho? Não desperdicemos a oportunidade. Por que deixar para depois o que é essencial? “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6,33). Eis o essencial, indicado por Jesus. Se não o entendemos bem, aprendamos com o pedreiro que peneira a areia para a construção. Joguemos fora o que não serve. Guardemos o que é bom.

Aprendamos, então, o que é bom em tudo e com todos. Aprendamos a fazer uma horta orgânica, a comer e beber o que é nutritivo, a cuidar de flores, a trabalhar de maneira criativa e honesta, a reciclar, a cantar e dançar, a ler um bom livro, a cuidar do corpo, da mente, do coração e do espírito. Aprendamos a ver filmes e programas de TV educativos, a dialogar de maneirar agradável e a gastar pouco ou muito com o que vale, realmente, a pena. Aprendamos a cuidar dos enfermos, consolar os tristes, incentivar os desanimados e encorajar os medrosos.

Aprendamos, também, a ser proativos diante da cultura da banalidade difundida pela mídia mercantil; das calçadas intransitáveis para idosos e deficientes físicos; dos buracos nas ruas que colocam vidas em risco; do fruto do trabalho não compartilhado; do dinheiro público sem investimento social; dos acordos entre lideranças políticas sem participação cidadã; do poder público que não subvenciona entidades socioeducativas, obrigando-as a mendigarem recursos e sobreviverem com festas de cachorro quente, para cumprirem um papel que é do próprio Estado.

O novo ano será melhor e abençoado se nós formos melhores e se agirmos comunitária e politicamente melhor. Por isso, mais que desejar o que é bom, sejamos decididos a ser bons e a conquistar o que é justo. Sejamos audaciosos sem sermos arrogantes. Sejamos críticos, não para destruir, senão construir. Amemos a todos, Deus por primeiro, pois Ele nos deu a vida e continua nos dando sabedoria para conservá-la. Vivamos intensamente de forma fraterna. Foi para isso que Deus nos enviou seu Filho Jesus. Libertemo-nos, pois, do egoísmo, do imobilismo e de tantas outras amarras, como Lázaro, o ressuscitado.

Abramos, então, os novos horizontes que necessitamos, começando por nós mesmos, jamais nos esquecendo dos idosos, dos dependentes químicos, dos que estão sem saídas diante do desemprego crônico ou na mendicância. Saibamos orientar as crianças, apontar caminhos aos adolescentes e desafiar os jovens. Recusemos a indiferença e a passividade. Juntos, defendamos a vida, cuidemos do meio ambiente, lutemos pelo bem comum, olhando para o futuro com confiança. Que neste novo ano, nossos modos de ser e agir sejam, pois, condizentes com as bênçãos de Deus que suplicamos.

Jales, 05 de janeiro de 2017.

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