Natal, sonhar e gerar uma nova sociedade - Diocese de Jales

Natal, sonhar e gerar uma nova sociedade

“E a Palavra se fez carne, e fez morada em nossas tendas”. (Jo1,14)

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O povo de Israel, povo da aliança, ao longo de sua história, experimentou com Deus, um amor misericordioso. Ao tempo de João Batista, havia uma esperança de que o Messias surgiria para libertá-lo da miséria e da dominação estrangeira. (Jo1,1-35). Em nossos dias, constatamos problemas por todo lado, pelos países, indicando uma crise global e não localizada. Essa situação traz insegurança generalizada para os povos e nações.

“Existem novas formas de pobreza e fragilidades: os sem abrigo, os refugiados, os povos indígenas, os negros, os nômades, os idosos, pessoas que sofrem formas diferentes de tráfico, mulheres que sofrem maus tratos, menores em situação de risco, os deficientes, os nascituros”. (Doc 105, CNBB, n 180). “Pessoas que vivem nas ruas, os migrantes, os enfermos, dependentes de drogas, os detidos em prisões”. (DAp 407-430)

E todos buscam sua forma de superação. Os vizinhos se unem para proporcionar uma cesta básica para uma família carente, seja por desemprego, seja por doença. Outros agitam as notícias nas redes sociais para obter leis que amparem os trabalhadores, protegendo-os com aposentadoria digna. De outra parte, os representantes do povo(políticos) se esfarfalham em verborreia, jamais deixando claro para a classe popular (de quem querem os votos), justificando suas posições em favor das reformas, estas favoráveis aos empresários e ricos, que financiam suas campanhas eleitorais. O povo, cansado por tanta informação desinformada, ou busca consolo na religião tantas vezes intimista e alienante, ou entra na onda consumista e hedonista, ou recolhe-se no isolamento frustrado.

“E Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro da casa.” (Lc2,7). E a Palavra se fez carne, e fez morada em nossa tenda”. (Jo1,14).” Jesus é a luz do mundo. Vem para iluminar as trevas”. (Jo1, 6.9). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. (Jo14,6). “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, para proclamar um ano de graça ao Senhor.” (Lc4,18-21). Citando Isaías 61, Jesus apresenta seu programa de vida. No ano da graça, ano de Jubileu, as dívidas são perdoadas e as propriedades eram redistribuídas. (Lev25,8-17. 29-31). O mesmo Jesus proclama a nova lei, como um novo Moisés, as bem-aventuranças, a esperança de um mundo novo, de uma nova sociedade. “Felizes os pobres, os aflitos, os mansos, os que tem fome e sede de justiça. Felizes os puros de coração, os misericordiosos, os que promovem a paz. Felizes os perseguidos por causa da justiça”. (Cfr. Mt5,1-8).

A vinda de Jesus, como Messias e Salvador, faz com que a nossa fé amadureça no sentido de assumir atitudes que possam transformar a sociedade, vivendo os valores da civilização do amor, da verdade, da transparência, da inclusão, da solidariedade, dos direitos humanos.

Portanto, celebrar o Natal é renovar conscientemente a nossa fé nesse Messias libertador, com quem queremos nos comprometer, para construir essa nova humanidade. Não se trata de dar asas ao natal dos presentes, sem a presença do aniversariante. Nem mesmo encher os carrinhos com compras dos diversos alimentos e bebidas. Ou ainda fazer belos enfeites, luzeiros atraentes. Tudo isto pode até contribuir para construir relações mais fraternas, tomando consciência dos buracos que precisam ser aplainados, dos problemas que têm que ser enfrentados, para que a sociedade esteja aparelhada para proporcionar justiça e oportunidades iguais aos que ficam excluídos pelo caminho. O Natal deve nos trazer a convicção de que é preciso compromisso com a causa dos pobres, dos trabalhadores, na solidariedade para com as situações de nosso alcance, e de ativa participação na sociedade nas causas dos mesmos.

Pe. Antonio de Jesus Sardinha
Vigário Geral da Diocese de Jales
Jales, 21 de dezembro de 2017

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