MARIA DA ASSUNÇÃO E NOSSA MISSÃO

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Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

A 33ª. Romaria da Diocese de Jales em comemoração à Nossa Senhora da Assunção, padroeira diocesana, deverá reunir neste dia 20 de agosto, como nos anos anteriores, cerca de 15 mil pessoas de 45 municípios que abrangem os 13 mil quilômetros quadrados da Diocese. Por meio desta grande peregrinação, a Diocese de Jales também festeja seus 57 anos de instalação.
Esta Romaria é muito especial por ocorrer no Ano Jubilar Mariano, no qual a Igreja no Brasil celebra os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, ocorrido no tempo da longa escravidão afro deste país. Qual interpretação bíblico-teológica a Igreja faz dessa “aparição de Maria” na forma de uma imagem negra da Imaculada Conceição?
Por meio da figura negra de Maria, Deus manifestou sua solidariedade ao povo oprimido, ouviu o seu clamor e desceu para libertá-lo, assim como o fez no tempo da escravidão dos hebreus no Egito (cf. Ex 3,7-10) e por meio de Cristo, cuja missão ele mesmo anunciou como libertadora (cf. Lc 4,16-21). A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, dá continuidade a esta missão.
Hoje, estamos submetidos a novas escravidões causadas sobretudo pelo sistema econômico, cujo centro de interesse é o capital, não as pessoas humanas. Enquanto os organismos financeiros lucram altamente, a miséria assola grande parte da população. “Raposas que fazem suas tocas” em nossos governos, defendem interesses de conglomerados econômicos, retiram direitos da classe trabalhadora e pouco fazem para que nosso habitat natural deixe de ser destruído.
Clamamos a Deus por libertação desses e de outros males, inspirados pelo Magnificat, no qual Maria canta as maravilhas que Deus realiza em favor de seu povo, derrubando do trono os poderosos e exaltando os humildes, saciando de bens os famintos e despedindo os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1,47-55). Maria acolheu, viveu e manifestou a ação libertadora de Deus em defesa do povo oprimido, decorrendo disso o lema da Romaria: “Com Maria nos libertamos de novas escravidões”.
Esta Romaria será, como sempre, uma grande manifestação de fé de nosso povo, em Cristo libertador, de clamor por uma sociedade mais justa e de compromisso em ações coletivas para conquistá-la. Cada participante apresentará na Eucaristia celebrada no final da Romaria, na Catedral Nossa Senhora da Assunção, seus clamores a Deus e seus compromissos de ação, escritos em cartões distribuídos antecipadamente, recolhidos na hora das preces comunitárias.
Esses cartões com orações e compromissos de ação serão depositados aos pés de um grande cruzeiro de madeira, que é um marco histórico de Jales. Ele está na Catedral como um ícone da fundação do município, em 1941, e das profundas conexões históricas entre a Igreja Católica e a sociedade. Todos os municípios da região se desenvolveram com uma grandiosíssima contribuição da Igreja, em todos os campos da vida social.
A temática libertadora da Romaria deste ano demonstra que a Igreja continua se dispondo a colaborar para que os cidadãos e cidadãs se tornem, verdadeiramente, sujeitos da vida econômica, social, política e cultural dos municípios desta região e do Brasil, superando as novas formas de escravidão que impedem nosso desenvolvimento humano integral e sustentável, responsabilidade esta que nos é dada por Cristo. Que Maria da Assunção nos conduza sempre nesta missão!

Jales, 17 de agosto de 2017.

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