Diocese de Jales

Notícias da Diocese › 31/05/2017

Homilia da Missa de Santa Rita de Cássia e Instalação das Paróquias de São Pedro, Santo Expedito E São Bernado

Homilia de Dom Reginaldo Andrietta

A felicidade de nossa Diocese, hoje, é imensa. Celebramos a memória de Santa Rita de Cássia, reunindo-nos nesta belíssima igreja, com os corações em festa pelos 78 anos de Fernandópolis, instalando neste município, três novas paróquias. Após 16 meses como bispo desta Diocese, sinto-me enormemente emocionado como um pai que recebe a notícia do nascimento de trigêmeas.
A Diocese de Jales, criada pelo Papa João XXIII, no dia 12 de dezembro de 1959, e implantada no dia 15 de agosto de 1960, teve como primeiro Bispo, Dom Arthur que, como padre, esteve à frente desta Paróquia Santa Rita de Cássia, mãe das três novas paróquias erigidas hoje. Festejamos, hoje, os frutos colhidos de uma longa e intensa missão pastoral.
Esta região do noroeste paulista se encontrava, até 1940, intacta, com sua natureza ainda preservada. A estrada de ferro abriu portas para seu povoamento, possibilitando a chegada de famílias de tantos outros lugares. Construiram-se vilas. Fernandópolis surgiu da união de duas Vilas: Brasilândia e Pereira.
A Diocese de São José do Rio Preto, à qual pertencia esta região, implantou novas paróquias nesta nova terra, começando por Fernandópolis, em 1943. Este sertão, que antes estava adormecido, começou a se transformar, merecendo a criação da Diocese de Jales, no mesmo ano de anúncio do Concílio Ecumênico Vaticano II, em 1959.
Nossa Diocese se desenvolveu no contexto de “aggiornamento” que o Concilio propiciou à Igreja. Giorno é dia. Aggiornamento é o processo vivido pela Igreja de abertura de suas janelas e portas para a realidade do mundo, entranhando-se da luz de Deus que emerge da realidade da sociedade, onde ele se faz presente e atua. Afinal, Deus não está enclausurado na Igreja, nos seus templos e nas suas paróquias. No entanto, ele se manifesta também por meio da Igreja que, pelo Concílio, em lugar de continuar sendo instituição hierarquizada, passou a ser concebida como Povo de Deus.
A Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano, a começar pela segunda, de 1968, em Medellin, e as outras, de Puebla, Santo Domingo e Aparecida, deram mostras de que a Igreja na América Latina, implementou o Concílio, segundo o modelo de “Comunhão e Participação”. Descentrando-se, a Igreja se inseriu nos ambientes de vida, especialmente dos mais pobres, passando a atuar desde essas realidades periféricas, em diálogo e colaboração com pessoas e organizações de princípios afins, visando a construção permanente de uma sociedade justa e fraterna, que sinaliza o Reino de Deus.
A pastoral dessa Igreja reinocêntrica, ou seja, centrada no Reino de Deus, passou a ter uma conotação sócio transformadora. Os leigos e leigas tornaram-se sujeitos com vez e voz, com ministérios próprios, com oportunidades de formação teológico-pastoral, e possibilidades de decisão e coordenação. Os pobres, prediletos de Deus, passaram a ser vistos de outro modo: de objetos da caridade, tornaram-se sujeitos de direito. A dignidade de toda pessoa humana passou a ser o foco principal de atenção pastoral da Igreja, entendendo a intrínseca relação entre evangelização, libertação e humanização.
Inspirada nesses princípios decorrentes da aplicação criativa do Concílio neste continente, a Diocese de Jales, optou por ser uma Igreja de comunidades eclesiais descentralizadas, presentes em todos os ambientes de vida, especialmente das pessoas mais pobres; uma Igreja toda ministerial, com protagonismo dos leigos e leigas e sua inerente atuação na vida social, econômica, política e cultural; uma Igreja que desenvolve a Pastoral de Conjunto por meio de equipes de padres que se colaboram no exercício do ministério presbiteral e por meio de ações comuns coordenadas; daí a existência de comunidades de padres, como em Fernandópolis, e a existência de Conselhos Pastorais comunitários, paroquiais, interparoquiais, setoriais e diocesano, bem como assembleias e planejamentos pastorais em todas essas instâncias, que orientam a grande diversidade de iniciativas na linha da missão.
Hoje, estamos bem conscientes de que Igreja toda deve ser missionária. As Paróquias, suas comunidades, pastorais e movimentos devem estar em estado permanente de missão. A Paróquia, neste caso, conforme diz o documento 100 da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, para ser missionária “precisa ir ao encontro das pessoas”. Nas palavras do Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, a comunidade missionária sabe “procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos”.
Interpreto neste sentido o desafio de Jesus lançado a seus discípulos de serem “sal da terra e luz do mundo”. Ele diz no Evangelho da missa de hoje: “Que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está nos céu.”
Reconhecemos as boas obras realizadas por tantos padres, religiosos, religiosas, seminaristas, leigos e leigas que se dedicaram com muito sacrifício a todas as comunidades pertencentes, hoje, às novas paróquias de São Pedro, Santo Expedito e São Bernardo. Somos profundamente agradecidos a todos os seus trabalhadores e trabalhadoras, da primeira à última hora, que se guiaram e continuam se guiando pela sabedoria que, conforme a primeira leitura desta missa, nada tem a ver com o poder, a riqueza, a beleza exterior ou qualquer outra forma de idolatria que despersonaliza o ser humano.
Louvor, honra e glória a Deus nosso Pai que por meio de Jesus Cristo, atuou na criação e desenvolvimento dessas comunidades paroquiais. Resta-nos, agora, conforme diz São Paulo aos Filipenses, na segunda leitura desta missa, completar a alegria de quem se consumiu de amor por essas comunidades e de quem se doa sem reservas por elas, hoje, tendo, como Igreja, uma só inspiração, um só amor, uma só alma, um só pensamento, nada fazendo por competição ou vanglória, cultivando, humildemente, os mesmos sentimentos de Jesus Cristo.
Parabéns missionários e missionários de Cristo, em Fernandópolis, os de ontem e os de hoje. Nossa oração pelas cinco paróquias, agora, deste município. Cristo conta com vocês, católicos de Fernandópolis, na missão de expandir o seu Reino onde vocês estão e os enviar.
Com toda certeza, hoje, ele confere a todos nós cristãos, a missão de mudar completamente os rumos de nosso país, uma causa que parece impossível. Recorramos, portanto, a Santa Rita de Cássia, advogada das causas impossíveis. Intercedei junto a Deus por nós, ó Santa Rita, para que nossa missão produza os frutos de justiça e de paz que nosso país necessita.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Fernandópolis, 22 de maio de 2017

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