Dicas Litúrgicas Para A Solenidade da Transfiguração do Senhor

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6 de agosto de 2017
Ano A

A festa da Transfiguração do Senhor convida a contemplar e a glorificar o Filho do Homem, que se apresenta em poder e glória, como o “Altíssimo Senhor”. Um convite para reconhecer a glória divina resplandecendo em Jesus e professar que ele é realmente o Filho de Deus

Evangelho de Mt 17,1-9

A Liturgia apresenta a visão de Daniel (1ª leitura). O texto é composto por versículos que compõem o quadro do Juízo Final com a finalidade de destacar unicamente a identidade daquele que tem poder, honra eglória para sempre. Este alguém é o Filho do Homem, um título que Jesus adotou, identificando-se, portanto, como aquele que virá em glória para julgar e salvar aqueles que pertencem ao Reino de Deus.

O objetivo da Liturgia, servindo-se do texto de Daniel, é apresentar Jesus como o vitorioso, aquele que recebeu de Deus o poder eterno, o qual não lhe será jamais tirado. Mais que profecia apocalíptica, portanto, é confirmação de que em Jesus se realiza a vitória do projeto divino. Esta identidade divina, proposta como “Filho do Homem”, torna-se evidente no salmo responsorial que, no contexto das leituras, canta a divindade em Jesus Cristo e de Jesus Cristo: “vós sois o Altíssimo Senhor”.

Buscando apoio nos exegetas e estudiosos da Bíblia, estes são concordes em afirmar que o texto da 2ª leitura é uma recordação da experiência de Pedro no Monte Tabor, quando ele presenciou a Transfiguração do Senhor, conforme descrito no Evangelho.

É interessante perceber que as palavras de Pedro são muito próximas à profecia de Daniel (1ª leitura): honra, glória, poder. Com o relato do texto petrino, além do mais, é possível recompor a cena da Transfiguração (2ª leitura). Pedro refere-se a uma experiência concreta de quem foi testemunha ocular, isto é, contemplou (viu) a glória divina em Jesus Cristo com seus próprios olhos.

Além de ter visto, ter ouvido a voz do Pai, com a experiência da Transfiguração, Pedro está testemunhando e confirmando que Jesus participa da glória divina em pessoa. Ou seja, ele é glorificado, quer dizer, a glória divina está na sua pessoa.

Em tal contexto, Pedro situa a Transfiguração do Senhor como antecipação da parusia, o modo esplendoroso com o qual Jesus voltará como juiz, no final dos tempos. Virá como Filho do Homem e, ao se servir desta figura simbólica, tem-se a garantia da misericórdia divina no juízo final, uma vez que virá com um coração humanizado, como é próprio do Filho do Homem.

Por fim, o Monte Tabor, onde Jesus transfigura-se diante de três de seus discípulos: Pedro, Tiago e João (Evangelho). Estão num monte. Na linguagem Bíblica, monte é indicativo do local onde acontece a revelação divina. Em várias passagens Bíblicas, Deus se manifesta em algum monte. Novamente ligação com a divindade de Jesus. Ele se revela Deus no Monte Tabor e isto constituiu Pedro, Tiago e João testemunhas oculares de um fato acontecido (2ª leitura).

No Monte Tabor, portanto, Deus revelou aos três discípulos quem realmente é Jesus Cristo: o Filho de Deus.

Isto é garantido inclusive pela voz do Pai que se faz ouvir: “este é o meu Filho” (Evangelho). Confirma-se assim aquilo que se propõe para esta celebração: renovar a fé e proclamar o testemunho que Jesus é o Filho de Deus, que Jesus é Deus.

Tem ainda outro elemento, relacionado ao papel de juiz, presente na Palavra desta celebração. Este elemento tem a ver com o mandamento do Pai para ouvir a Palavra de Jesus (Evangelho). Alusão que é sobre a Palavra de Jesus que acontecerá o julgamento. Que o Evangelho é a última e definitiva Palavra do julgamento, no Juízo Final. O critério do julgamento, adotado por Jesus, no Final dos Tempos, será a sua Palavra, o seu Evangelho.

Algumas dicas para celebrar a liturgia:

  • No espaço simbólico valorizar a cruz, com pano branco, simbolizando as roupas brancas de Jesus transfigurado.
  • Lembramos que iniciamos o mês de agosto, mês vocacional, por isso, nossas celebrações podem assumir uma tônica vocacional, pelos cantos, símbolos e a oração vocacional lembrando de todas as vocações (preparar um espaço litúrgico com símbolos vocacionais “sem muito exagero”).
  • Neste primeiro domingo celebramos o dia do Padre. Devemos lembrar com muito carinho daquele que dedica sua vida ao serviço de Deus na comunidade, principalmente em nossas orações.
  • Este mês também, nossa Diocese se prepara para celebrar Nossa Senhora da Assunção com a Romaria Diocesana. Lembrar de motivar o povo para participar dos encontros nos grupos de família e também da Romaria, no dia 20 de Agosto.

Sugestões de cantos para a celebração:
Entrada: 82 ou 83
Ato penitencial: 101
Glória: 124 ou 125
Salmo: Do lecionário
Aclamação: 317 ou 330
Ofertas: 416,  415 ou 419
Santo: 432 ou 433
Comunhão: 559, 560 ou 561,
Envio: 616, 617,618,619 ou 620

Concedei, ó Deus ao povo cristão conhecer a fé que professa e amar a liturgia que celebra. Por Cristo nosso Senhor. Abençoe-nos o Deus todo poderoso, Pai Filho e Espírito Santo. Amém!

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