Dicas Litúrgicas Para a Solenidade da Santíssima Trindade

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11 de Junho de 2017
Ano A

Deus passa diante de Moisés e não permite que ele contemple seu rosto, mas o adore porque a Deus pertence o louvor, a honra e a glória eternamente. A nós, Deus se mostra na Encarnação de Jesus e faz de nossos corpos Templos do Espírito Santo

Evangelho de Jo 20,19-23

A cena da 1ª leitura descreve a transcendência divina e, ao mesmo tempo, a sua imanência. Transcendência, porque Deus está acima e além de nós. Mostra-se transcendente ao passar diante de Moisés, o qual não pode contemplar o rosto divino, cabendo-lhe apenas um grito suplicante em favor do seu povo.
Deus que passa, Deus que faz a sua Páscoa e, nesta passagem realiza o encontro com Moisés, envolvido numa nuvem, símbolo da transcendência divina e, ao mesmo tempo, da sua imanência, do seu estar próximo do povo. A Moisés, como a todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares, cabe a adoração na escuridão da fé, ou seja, no mergulho do mistério que se contempla com a força da fé.
Diante da transcendência divina, este Deus que tem seu trono superior aos querubins, cujo nome é santo e glorioso, o louvor, a honra e a glória eternamente (salmo responsorial).
Mas, Deus não é somente um Deus transcendente. É Deus imanente, quer dizer, Deus que caminha com seu povo. Mesmo que o povo, pelo seu pecado, se afaste dele, ele, por ser um Deus fiel, não pode rejeitar o seu povo porque ele próprio escolheu pertencer e se fazer presente na vida do povo.
A receita de Paulo para se sentir a presença divina entre nós, é muito simples e direta: “cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2ª leitura). Imanência é a presença divina no meio do povo. Presença que se torna marcante e concreta com a vinda e com a permanência (imanência) de Jesus entre nós.
Não uma presença para condenar, para apontar pecados e erros, mas para indicar um caminho que conduz ao encontro de Deus. Não uma presença de encontro com Deus na noite da fé, como aconteceu com Moisés (1ª leitura), mas uma presença visível, pela qual é possível ver Deus face a face. Presença que revela o grande e imenso amor de Deus para conosco (Evangelho).
Por fim, o encontro com Deus transcendente e imanente. Lembro-me de um texto de Bonhoeffer que (cito de memória) traz em sua essência o seguinte pensamento sobre o Mistério de Deus, especialmente o Mistério da Santíssima Trindade.
“Não é a estrela mais distante que tem o maior mistério, mas aquela que se aproxima de nós, que à medida que se conhece, mais misteriosa se torna para nós. Não é pessoa mais distante que se torna um grande mistério para nós, mas aquela pessoa com quem convivemos no cotidiano, pois à medida que a conhecemos, tanto mais misteriosa se torna para nós.
Misteriosa no contexto do amor, que sempre surpreende e sempre renova a vida e, à medida que sempre mais se conhece, mais se percebe o mistério que envolve a vida de um e do outro. Por isso, conclui Bonhoeffer, o saber não supera o mistério, mas o aprofunda. Quanto mais presente alguém é em mim, maior é o mistério, mais o conheço e mais me desafia a conhecê-lo em profundidade.” Assim é a experiência da transcendência e da imanência divina na mística cristã.
Isto vale para nossos relacionamentos, quando vivenciados no amor, mas vale explicitamente para o mistério da Santíssima Trindade, convidando-nos a permanecer em Deus no amor e pelo amor. Assim, se Deus é amor, consequentemente, o modo de permanecer em Deus é através do amor.

Algumas dicas para nossa liturgia

  • A cor litúrgica para o dia de hoje é o Branco.
  • Na procissão de entrada vão os leitores, ministros, acólitos, e o presidente da celebração. Leva-se à frente a cruz processional. Pode-se também levar um cartaz ou um ícone da Santíssima Trindade.
  • Procurar dar atenção especial e solenizar o sinal-da-cruz, lembrando que fomos batizados em nome da Trindade. Pode ser cantado.
  • A saudação inicial pode-se aproveitar a formula “F” que está no missal romano, página 390.
  • A liturgia da Palavra deve ser bem preparada, expressando a dignidade do oficio que a pessoa está exercendo. Onde for possível, o presidente da celebração pode cantar o Evangelho.
  • As preces podem ser feitas por três pessoas e a resposta pode ser “Glória ao Pai…” cantado.
  • Destacar a característica trinitária da Oração Eucarística e, se possível, cantar pelo menos o prefácio que lhe é próprio, o Santo, as intervenções, a doxologia e o amém final.

As sugestões de cantos para este domingo são:

Entrada: 52 ou 53
Ato penitencial: 95 ou100
Glória: 135 ou 131
Salmo: Cântico de Daniel, o mesmo do lecionário.
Aclamação: 309 ou 306
Ofertas: 369
Santo: 435 ou 440
Comunhão: 519 ou 521
Envio: 601

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