Dicas Litúrgicas Para O 32º Domingo Do Tempo Comum

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12 de novembro de 2017
Ano A

A fé nos coloca na estrada da esperança e na segurança de que alguém nos espera no final de nossas vidas. Por isso, não temos medo da vida, mas a vivemos de modo vigilante para não nos perder em estradas que não nos conduzam ao encontro de quem amamos: o nosso Deus.

Evangelho: Mt 25,1-13

O enfoque desta celebração pode ser traduzido com uma frase repleta de esperança: no final de nossa vida alguém nos espera. Um tema que aparece de modo claro nas primeiras linhas do salmo responsorial. As leituras deste 32º Domingo do Tempo Comum -A — celebrado poucas vezes em nossas comunidades, porque quase sempre substituído pela Solenidade de Todos os Santos — apresentam a busca e a espera como distintivo essencial da fé, presente na vida de quem crê. Neste sentido, existe também a responsabilidade do fiel em testemunhar que ele vive na certeza que Alguém o espera no final de sua vida. Disto, a necessidade de se viver de modo vigilante e sempre pronto para partir, para ir ao encontro de quem nos espera.

O livro da Sabedoria (1L) apresenta um movimento da vida humana em busca de um sentido para viver. Por isso, é com o homem e a mulher que a Sabedoria propõe um diálogo introduzindo-os na compreensão dos segredos divinos, para que o destino do homem e da mulher não se percam num vazio.

O motivo dominante da 1ª leitura encontra-se no tema da procura, da busca de um sentido para se viver. Um tema que caracteriza, não somente o livro da Sabedoria, mas a própria espiritualidade de Israel, caracterizando-a como um povo que vive a procura de Deus (Is 65,10).

Buscar Deus, procurar Deus, é a atitude natural daquele homem e mulher que não se encaracolam em si mesmos, nem se isolam em monólogos autocentrados e, por isso, estéreis. Ao contrário, buscam a Deus por reconhecer que nele está a Sabedoria da vida, a ponto de desejá-la com a mesma intensidade de uma terra seca, sedenta de água (SR). Buscar Deus é o princípio maior da sabedoria por reconhecer que somente em Deus encontra-se o infinito do próprio saber e o sentido pleno da vida.

Mas, existe um detalhe que vale a pena destacar. Na busca da Sabedoria divina, o homem e a mulher percebem que eles mesmos são procurados por Deus, antes de se colocarem a procura de Deus. Isto significa reconhecer que Deus está no nosso caminho e nos espera, como aconteceu com Abraão, no Monte Moria, com Elias, no deserto, com os discípulos de Emaús…

Este mesmo Deus que vem ao nosso encontro apresenta-se como esposo (E). Ele é o esposo que vem para celebrar a festa nupcial que gerará a vida em abundância. O tema esponsal é muito caro ao Antigo Testamento. Basta ler Oséias, que apresenta a Aliança entre Deus e o povo como um pacto nupcial. O mesmo tema encontra-se em outros profetas, como por exemplo, no capítulo 54 de Isaías.

No Evangelho deste Domingo, Mateus insere o tema nupcial para chamar atenção sobre a importância da vigilância, em vista de não se perder a festa que Deus nos prepara: o banquete nupcial. Numa sociedade que se deixa envolver em distrações e é marcada pela preguiça espiritual, a vigilância ganha uma importância grande neste preciso contexto. Um modo de chamar atenção sobre a importância de se estar sempre preparado para o encontro com o Senhor.

Esta preparação tem a ver com a responsabilidade pela própria existência. E aqui se tem um aspecto interessante. Esta vigilância e responsabilidade não acontecem em clima de sisudez, mas em clima de expectativa de quem se prepara para o casamento.

Expectativa que contempla, sim, a responsabilidade, mas não esquece a festa, o desejo de se encontrar, de fazer comunhão de vida, por causa do amor e no amor. Não uma vigilância marcada pelo medo, portanto, mas marcada pela realização de um projeto de viver com quem se ama. Isso não apresenta motivo para se isolar de tudo e de todos, mas partilhar a alegria da festa com todos.

O único cuidado é viver de tal modo para não se perder a festa nupcial, a festa de casamento da vida humana com a vida divina. Para que não se corra o risco de perder a festa, basta viver plenamente cada instante da vida, lá onde somos chamados a viver porque é ali que Deus vem ao nosso encontro. Esse modo de viver é o modo apropriado e propício de se estar sempre vigilante.

 Algumas dicas para nossa liturgia:

  • A cor da liturgia é verde.
  • Para o espaço celebrativo, preparar um arranjo utilizando lamparinas, dando o sentido de vigilância, proposto no evangelho.
  • No início da celebração, o animador pode fazer uma pequena monição, dando sentido ao que estamos celebrando.
  • Antes do início da celebração seria bom criar um clima de silêncio entoando um refrão meditativo.
  • Deve-se criar momentos de silêncio durante a celebração como: no ato penitencial, após cada leitura e após a comunhão.
  • Na liturgia da Palavra nos colocamos com o ouvido e o coração abertos, para acolher a Palavra do Senhor.  Por isso tudo deve ser bem preparado.
  • Motivar a comunidade a participar da novena de Natal nos grupos de Família

Sugestões de cantos:
Entrada: 70 ou 71
Ato penitencial: 100 ou 106
Glória:126 ou 128
Salmo: é o mesmo do lecionário
Aclamação: 316
Ofertas: 391, 393
Santo: 444
Comunhão: 536, 538
Envio: 612

Oremos: Concedei, ó Deus, ao povo cristão conhecer a fé que professa e amar a liturgia que celebra. Por Cristo nosso Senhor. Abençoe-nos o Deus todo poderoso, Pai Filho e Espírito Santo. Amém!

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