Dicas Litúrgicas Para O 2º DOMINGO DA PÁSCOA

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23 de Abril de 2017

Ano A

As comunidades cristãs de todos os tempos e lugares são chamadas a refletir a Palavra deste 2º Domingo da Páscoa para descobrir seus fundamentos constitutivos, como a partilha fraterna, o alimento da Palavra e da Eucaristia, a fé e a missão reconciliadora.

Evangelho de São João, Jo 20,19-31

Depois da experiência da Ressurreição, os discípulos começaram a se reunir em comunidade, que se tornou uma “ekklesia” (Igreja). Na 1ª leitura, Lucas descreve três pilares da comunidade cristã. Pilares e, ao mesmo tempo, fonte de vitalidade criativa na vida de uma comunidade cristã. No Evangelho, outros três pilares narrados em dois momentos, aquele do encontro de Jesus com os Apóstolos e no encontro de Jesus com Tomé, quando proclama a bem-aventurança de crer sem ver.

Um dos pilares da comunidade cristã está na “assiduidade no ensinamento dos Apóstolos”, realizada por meio da Palavra enquanto condição para colocar os discípulos em contato direto com Jesus Cristo. A base da comunidade cristã não se encontra num ensinamento moral, numa prescrição social, numa ideologia (como se fosse um partido político), mas na adesão a Jesus Cristo e no modo de viver de acordo com sua Palavra, o Evangelho. É pelo conhecimento e reflexão assíduos à Palavra que a comunidade torna-se vitalmente criativa.

É da criatividade vinda da Palavra que resulta um segundo pilar: a “koinonia”. Não se trata de simples amizade entre pares, mas de uma comunhão entre os membros da comunidade tendo como fundamento o próprio Jesus ressuscitado e presente na comunidade. A consequência disso está na partilha fraterna com os pobres, para que não haja necessitados; sempre que houver necessitados existe o sinal de uma comunhão fraterna incompleta.

Por fim, ainda na 1ª leitura, um terceiro pilar: a “fração  do pão e a oração”. Fração do pão (Eucaristia) como momento de alegria de convivência fraterna na celebração e convite para festejar a alegria da vida nova comungada Eucaristicamente. Oração, momento de encontro com o Senhor ressuscitado que garantiu que onde dois ou mais estiverem reunidos em seu nome, ele está no meio deles (Mt 18,20).

Mas existem outros três pilares da comunidade, estes presentes no Evangelho. Tem o pilar da “coragem”. João faz questão de dizer que as portas estavam fechadas por medo dos judeus (Evangelho), quando Jesus aparece no meio deles. Deixa-se ver, melhor dizendo, porque sempre estava com eles. É assim que o medo e a paralisia deles, por terem se fechados, transforma-se em alegria, condição indispensável para testemunhar o Evangelho. É pela alegria que se nasce para uma esperança viva (2ª leitura).

Depois, tem também o pilar do “perdão”, dom oferecido e garantido pela presença e pela ação do Espírito Santo no meio da comunidade. Jesus sopra o Espírito Santo e recria uma comunidade humana nova, destinada a suplantar a violência que mata com a força do perdão que redime e reconstrói. É o perdão que liberta de todos os medos e permite experimentar a misericórdia divina na vida pessoal (salmo responsorial).

Por fim, o pilar da fé, proposta no conhecido episódio do encontro de Jesus com Tomé. A dificuldade de Tomé é exemplo de alguém que permanecia preso em esquemas concretos do ver e do tocar, negando-se a crer no testemunho da Palavra, no Evangelho, na Boa Nova da Ressurreição que seus amigos anunciaram. A fé não viaja acompanhada de provas concretas, mas na Palavra que testemunha a Ressurreição de Jesus. Esta fé sem ver, garante São Paulo, é fonte de “alegria indizível”, uma alegria incapaz de se descrever (2ª leitura).

Algumas dicas para nossa liturgia.   A cor litúrgica é o Branco.

Destacar o círio pascal, a pia batismal, além da mesa da Palavra e da Eucaristia, usando flores na cor branca ou amarela. Tudo deve expressar a alegria do tempo em que vivemos.

Na procissão de entrada vão a cruz, duas velas, leitores acólitos e presidente da celebração e se possível uma estampa ou quadro de Jesus Misericordioso.

Depois da saudação do presidente, pode-se acender o círio pascal que deve estar ao lado da mesa da palavra com a seguinte frase: “bendito sejas, Deus da vida, pela ressureição de Jesus Cristo e por esta luz radiante”.  Ou pode-se cantar um refrão que fala de luz (a nós descei divina luz… ó luz do senhor… o senhor ressurgiu.)

Gostaríamos de lembrar que o círio pascal não substitui as velas do altar. O círio é símbolo do ressuscitado presente no meio de nós. As velas do altar são homenagem ao Cristo, por isso uma coisa não substitui a outra.

Durante o tempo pascal pode ser realizado a rito de aspersão no lugar do ato penitencial na pagina 1001 com um canto apropriado.

A Liturgia da Palavra é o momento de ouvirmos a Deus, então deve ser bem preparada e até ensaiada para que tudo expresse a dignidade do momento. Após a proclamação do evangelho aclame-se novamente a palavra proclamada

Na Liturgia Eucarística Cantar as interversões, lembramos que o “amém” no final da doxologia seja cantado. O abraço da paz seja sóbrio.  O cordeiro é cantado enquanto o sacerdote realiza de modo visível a fração do pão.

Benção final pode ser a Benção solene da Páscoa, conforme indicado no Missal, p. 523.

Sugestões de cantos para a celebração

Entrada: 35 ou 38

:Ato penitencial: 99 ou 106

Glória: 123 ou 133

Salmo: Do lecionário

Aclamação: 300 ou 771

Ofertas: 360, 362 ou 364

Santo: 441 ou  442

Comunhão: 509 ou 512

Envio: 591 ou 604.

Oração: Concedei, ó Deus ao povo cristão conhecer a fé que professa e amar a liturgia que celebra. Por Cristo nosso Senhor. Abençoe-nos o Deus todo poderoso, Pai Filho e Espírito Santo. Amém!

 

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