Dicas Litúrgicas para o 12º Domingo do Tempo Comum

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Não poucas vezes, a vida parece pregar peças em quem acredita em Deus com situações inesperadas e até mesmo contraditórias. Nestes momentos de provações, nos quais a fé é desafiada, ressoa forte no coração de cada fiel a palavra de Jesus: “não tenha medo.”

Evangelho:  Mt 10,26-33

O texto da 1ª leitura faz parte das chamadas “confissões de Jeremias”. Um texto que revela o interior de uma pessoa perturbada pela sua vocação e sua missão vividas no contexto de uma fidelidade paradoxal. De fato, a Palavra de Deus, luz e fundamento de sua vida pessoal, produziu nele o efeito de uma espada que transpassou seus projetos pessoais e sua convivência social.

Amava o seu povo, mas era obrigado a ser mensageiro de notícias ameaçadoras; foi chamado a ser sentinela das nações, mas era considerado colaborador de povos inimigos; tímido por natureza, mas chamado a ser profeta; ser pessoa pública e estar diante do povo.

Jeremias, diz a primeira parte da leitura, é testemunha ocular do terrorismo daqueles que espalham medo e

ameaças (1ª leitura). Jeremias é a imagem de quem aceitou o risco de ser profeta de Deus no meio de uma sociedade infiel ao projeto divino. Mesmo reconhecendo sua vocação, não se pode desconsiderar sua tribulação espiritual por viver em condições ameaçadoras próprias do seu tempo.

O outro lado da vida de Jeremias é marcado pelo desabafo (1ª leitura). A primeira parte das confissões já é, em si, um desabafo, mas chama atenção o desabafo espiritual que Jeremias faz diante de Deus. Seu desabafo demonstra o sofrimento interior feito de decepção e de tristeza.

Dois sentimentos destruidores do coração humano, que obrigam Jeremias a implorar a intervenção divina em base ao seguinte pressuposto: se o Senhor é justo, a mentira não poderá prevalecer. É um dado que o fortalece, porque a justiça divina manifesta a presença de Deus ao seu lado como um protetor forte, como um guerreiro que luta a seu favor.

Um profeta que intercede a vingança divina aos seus caluniadores, não para a morte e destruição, mas como necessidade psicológica pessoal de quem pede socorro. Atitude que se propõe mais como exemplar, para que todos vejam como Deus ouve as orações de quem está angustiado e os socorre com seu amor (salmo responsorial).

Também o Evangelho se encontra num contexto de confronto com a sociedade que reage resistindo à evangelização. Diante de tal fato, Jesus repete três vezes a necessidade de não ter medo. Jesus sabe, por conhecer a história dos profetas e por experiência pessoal, que o mundo tem dificuldade de acolher o projeto divino, por isso é preciso ter coragem. O encorajamento de Jesus acontece com três exortações.

A primeira: proclamar a Palavra sobre os telhados, porque é o próprio Deus que aparece como avalista da Palavra anunciada. A Palavra dos evangelizadores contém a força explosiva que vem do próprio Deus e, por isso, nada, nenhuma perseguição pode frear ou impedir o conhecimento da mensagem divina. A segunda exortação: não ter medo daqueles que matam o corpo, porque o poder humano é limitado, uma vez que o homem não é senhor da vida e da morte; a confiança em Deus supera até mesmo as ameaças da morte contra o evangelizador. Por fim, a terceira exortação: os passarinhos são cuidados por Deus e os cabelos da cabeça estão todos contados.

Alusão clara da total proteção divina. Não existe nada, absolutamente nada, que não esteja sob a proteção e o cuidado de Deus. Diante de tais exortações, o evangelizador é fortalecido a não temer em anunciar e testemunhar o Evangelho, porque Deus sempre está presente.

Algumas dicas para nossa liturgia

  • A cor litúrgica para o dia de hoje é o verde.
  • Antes do início da celebração seria bom criar um clima de silêncio entoando um refrão meditativo.
  • Deve-se criar momentos de silêncio durante a celebração como: no ato penitencial, após cada leitura e após a comunhão.
  • Na liturgia da Palavra nos colocamos com o ouvido e o coração abertos para acolher a Palavra do Senhor.
  • Por isso tudo deve ser bem preparado.
  • Valorizar a liturgia eucarística. Cantar as respostas, o amém da doxologia e o cordeiro.

As sugestões de cantos para este domingo são:
Entrada: 58 ou 67
Ato penitencial: 115 ou 116
Glória: 123 ou 136
Salmo: Do lecionário
Aclamação: 338 ou 334
Ofertas: 405 ou 408
Santo: 446 ou 448
Comunhão: 565 ou 529
Envio: 618

Oremos: Concedei, ó Deus ao povo cristão conhecer a fé que professa e amara a liturgia que celebra. Derrame sobre nós as suas bênçãos, o Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

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