Dicas Litúrgicas para a Festa de Cristo Rei do Universo

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26 de novembro de 2017
Ano A

A Solenidade de Cristo Rei não se identifica a uma comemoração triunfalista, mas como celebração que compromete os celebrantes diante da dignidade da vida do outro. O projeto do Reino de Deus caracteriza-se pela promoção da vida digna e da vida plena. Hoje em toda Igreja do Brasil Iniciamos o Ano Nacional para Laicato.

Evangelho: Mt 25,31-46

O tema do reinado de Deus não se afina com o poder político dos governantes, que domina o povo com leis e necessita de atitudes controladoras para manter a ordem social. A apresentação de Deus como Rei do Universo, representado na pessoa de Jesus Cristo, tem outra perspectiva: ele é Deus e Rei porque socorre e porque ajuda, porque faz justiça ao pobre e liberta o oprimido dos opressores e de suas opressões.

Esta é também a imagem e a atitude que se esperava do Rei de Israel e, hoje, se espera de todos os governantes da terra. Governantes com o mesmo modo do agir divino para com o povo. Isso se encontra, numa espécie de síntese, no símbolo do Bom Pastor (SR).

No Evangelho, o Reino de Deus anunciado por Jesus contém os mesmos princípios propostos no Antigo Testamento na relação dos governantes para com o povo. O Reino proclamado por Jesus pertence aos pobres, aos pequenos, aos mansos, aos perseguidos por causa da justiça…

Neste sentido, falar de Reino de Deus é entender um processo em favor da gratuidade e da liberdade, da justiça e da paz, da solidariedade em favor da vida digna. É o que se proclama no Prefácio desta celebração.

Com tais critérios, podemos compreender melhor a Palavra deste último Domingo do Tempo Comum. Um elemento que chama atenção são as acusações contra aqueles que assumiram o pastoreio do povo: reis, governantes, líderes religiosos, sacerdotes (1L)…

Fazendo uma leitura ao contrário da proposta divina, entende-se que: não foram em busca da ovelha perdida, não procuraram redirecionar a ovelha extraviada, não cuidaram da ovelha ferida, não fortaleceram a ovelha doente, ficaram despreocupados com a ovelha saudável.

 Em resumo, não foram os pastores que o Senhor esperava (1L). Diante de tal situação, Deus se faz pessoalmente o Bom Pastor (SR) para cuidar do seu rebanho; cuidar do seu povo. Considera a situação do povo e como que assume um pacto de aliança para restabelecer a saúde no meio do povo.

Jesus dá continuidade e reforça a mesma proposta feita na 1ª leitura e, sempre no contexto da vida digna, como que convoca todos a serem pastores, a serem responsáveis uns pelos outros, especialmente pelos irmãos e irmãs mais necessitados que convivem conosco (E).

No contexto da História da Humanidade, um dia todos estaremos diante do Bom Pastor e ele, o próprio Jesus, descrito por Paulo como o destruidor da morte (2L), colocará cada ser humano diante dos pobres, dos pequenos, dos famintos, dos prisioneiros… (E).

Diante desse quadro, estarão aqueles que foram capazes de reconhecer nos pobres e nos humilhados a presença de Jesus; diante do mesmo quadro, estarão aqueles que foram incapazes de ver a presença de Jesus nos pobres e nos pequenos. Em ambos os quadros será feita a mesma e única pergunta: quando te vimos com fome, com sede, nu…?

E, naquele momento, eis a grande revelação: tudo que se faz ou se deixa de fazer aos pobres e aos pequenos, aos presos ou famintos… é ao próprio Jesus que se faz ou se deixa de fazer. No centro do relacionamento humano, no centro de nossos relacionamentos sociais, encontra-se Jesus, presente no pobre.

A grande surpresa do Juízo Final, que é mais surpreendente que surpresa, porque já sabemos o que deverá acontecer, consiste não em se dedicar a louvores e buscas de milagres no divino, mas em se fazer servo dos pobres. Na prática, a Salvação final depende do modo como “olhamos para o crucificado”, que continua pendente na Cruz das injustiças sociais, das violências, das agressividades econômicas… cruzes que os impede de viver dignamente.

Disso, a proposta de Jesus para ajudar aqueles que carregam a cruz da fome, da sede, a cruz da doença… (E). O encontro do Reino de Deus e o ingresso neste Reino acontece nas estradas da nossa humanidade, principalmente daquela humanidade ferida e pisoteada pela soberba humana e social.

Algumas dicas para nossa liturgia:  A cor da liturgia é o branco.

  • Neste dia, junto a presbitério, pode se colocar uma cruz grande, ornada com flores, um pano branco e Banner do Ano do Laicato, que pode ser conduzido na procissão de entrada.
  • A procissão de entrada pode ser solene, com incenso, cruz, velas, leitores e todos os ministros que irão renovar os ministérios.
  • Após a saudação Inicial e antes do Ato penitencial sugerimos acolher o estandarte ou Imagem da Sagrada Família, ícones do Ano do laicato. Preparar um local com antecedência para colocar.
  • Neste dia seria muito oportuno realizar a renovação das promessas do batismo com toda comunidade. É uma orientação da CNBB por ocasião do ano do laicato
  • No final da celebração é pedido que se faça a renovação dos compromissos dos ministros instituídos e a instituição dos novos ministros leigos, se houver.
  • Para este dia vamos disponibilizar um roteiro de celebração proposto pela CNBB. 
  • Pedimos que as equipes de Liturgia fiquem atentas à Carta de orientações para o Advento e Natal escrita por nosso Bispo diocesano.

|Roteiro de Celebração

|Carta Episcopal

Sugestões de cantos:
Entrada:
93 ou 94

Ato penitencial: 96
Glória:126 ou 128
Salmo: é o mesmo do lecionário
Aclamação: 313
Ofertas: 410
Santo: 444
Comunhão: 570
Envio: 610

Oremos: Concedei, ó Deus, ao povo cristão conhecer a fé que professa e amar a liturgia que celebra. Por Cristo nosso Senhor. Abençoe-nos o Deus todo poderoso, Pai Filho e Espírito Santo. Amém!

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