DESAFIOS DE SER IGREJA

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Acontecerá em Londrina-PR, de 23 a 27 de janeiro de 2018, o 14° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que ocorrem a cada 3 a 5 anos desde 1975. O tema central será “Comunidades Eclesiais de Base e os desafios no mundo urbano”. Lema: “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo, e desci para libertá-lo. ” (Ex.3,7).
O que são esses “Intereclesiais”? Uma grande concentração nacional com delegações de grande parte das Dioceses do Brasil, com presença de outras Igrejas (Ecumenismo), com representantes da América Latina e Caribe, e ainda observadores internacionais. Bispos, padres, pastores, homens, mulheres e jovens. São dias de convivência fraterna, acolhimento, hospedagem nas casas de famílias, estudos do tema, com vários assessores, partilha de experiências vividas em diversas realidades do Brasil, celebrações católicas criativas e ecumênicas, e muita alegria.
“Os Intereclesiais mantêm viva a chama da caminhada das Cebs reafirmando que as mesmas estão vivas e dispostas a continuar buscando os sinais do Reino de Deus no meio do mundo e da história. ” Celso Carias, Assessor. Esses encontros são pontos de chegada e de partida. Portanto, implicam numa intensa preparação, em nível das bases, das dioceses, das províncias eclesiásticas, de Estados, coordenações, assessores, como também servem de referência para novos passos a serem dados na base, como vivência de novos modos de evangelização mais encarnada nas realidades humanas.
Além dos preparativos de toda logística, o mais importante é o envolvimento de cada Comunidade, ao longo desses anos, numa caminhada de busca e de vivência desse espírito de ser Igreja presente, atuante, transformadora dessa realidade do mundo urbano. As Comunidades receberão vagas, e escolherão seus delegados, que irão participar, ajudados pelas mesmas.
Estão se realizando muitos encontros nos diversos níveis, com muitas ações concretas, compromissos diante das realidades desafiadoras. Tivemos recentemente em Curitiba um Seminário com assessores das Comunidades paulistas, paranaenses, catarinenses e gaúchas. Presentes cerca de 35 pessoas, alguns padres, 2 jovens, 2 bispos, religiosas e até um pastor anglicano. Foram reflexões e partilhas de experiências repletas de opção pelos pobres e marginalizados.
“A partir do Concílio Vaticano II, surgiram e cresceram por toda a parte, as pequenas comunidades, chamadas Cebs, à luz da Palavra de Deus, sendo Igreja com os pobres, pelas causas dos mesmos.” (At.2,42-47; 4,32-37). Não bastam mais as grandes igrejas cheias.
Diante da cultura urbana, o Papa Francisco insiste na conversão pastoral. É aconselhável a setorização em unidades territoriais menores, com equipes próprias de animação e coordenação que permitam maior proximidade com as pessoas e grupos que vivem na região. Assim está expresso no documento dos bispos da Conferência Episcopal Latino Americana e do Caribe realizada em Aparecida. Há nas entrelinhas um profundo questionamento do tipo de fé, de religião, de Igreja. O Apóstolo Tiago já se incomodava com aqueles que tinham uma fé que não os impulsionava a uma ação caritativa, transformadora. (Tg 2,18; 5,4).
Como a vivência de nossa fé, jeito de ser Igreja, busca respostas para as realidades desafiadoras da cidade, como a moradia, o meio ambiente, o saneamento básico, saúde, alimentação saudável com produtos orgânicos, violência, trabalho, transporte, corrupção, cultura, esporte e lazer, afetividade, sexualidade? A verdadeira fé deve nos fazer comprometidos com a dupla cidadania: da terra e do reino dos céus.

Pe. Antônio de Jesus Sardinha
Vigário Geral
Diocese de Jales

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