Diocese de Jales

Artigos › 08/08/2019

Cultura Vocacional no contexto atual

O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema das vocações. Cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se o sacerdócio e os ministérios ordenados, no segundo, o matrimônio, junto à vocação para a vida em Família, no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação para os ministérios e serviços na comunidade.

Todos os anos alguma temática tem sido trabalhada. Este ano em específico, o mês vocacional estará em sintonia com o 4º Congresso Vocacional do Brasil, que realizar-se-á de 05 a 08 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). A reflexão e o estudo do tema “Vocação e Discernimento” deseja refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais, ressaltando a importância da cultura vocacional.

O papa João Paulo II, em 1994, se referiu a urgente necessidade de uma cultura vocacional, passar para uma ação que penetrasse a vida de todos os cristãos, que favorecesse repensar a vida como serviço e que as comunidades desenvolvessem um processo educativo vocacional. Importante falar, rezar e trabalhar para conscientizar todos os cristãos de que a vida não é um acaso, mas um projeto a ser desenvolvido ao longo da existência. Isto requer uma nova mentalidade que desperte não apenas para a vocação específica (presbiteral, religiosa), mas abra horizontes de missão para compreender que o ato de fé não é uma lógica meramente racional e espontânea, mas insere a pessoa numa realidade de serviço e generosidade à plena gratuidade de Deus, onde todos somos chamados para uma missão.

Em 2005, o segundo Congresso Vocacional no Brasil, retomou essa reflexão de criar uma cultura vocacional na Igreja. Dois anos depois, a Conferência de Aparecida, nos desperta para a mudança de época que mexe com a vida de todos nós. É preciso rever a cultura vocacional à luz da vida do discípulo missionário que se enfrenta com a complexidade do momento atual, de certa forma opaca, sem brilho, complexa e com uma enorme dificuldade de interagir com os valores referenciais. A base cultural mudou. É uma modernidade liquida, que enterrou a cristandade e supervaloriza a individualização e o imediatismo, consequentemente, na contramão da vida como vocação.

A base sobre a qual desabrocha a cultura vocacional firma-se na experiência, medida pela fé, do encontro com Deus, na e para a missão a partir da realidade histórica. A cultura vocacional é, sem sombra de dúvida, querigmática e se realiza no processo mistagógico, se forma a partir da oração e do falar positivamente das vocações, num mundo cheio de lamentações.

Uma nova cultura vocacional, que saiba perceber a realidade, foi o que pediu o Papa Francisco ao encontrar os integrantes da pastoral vocacional na Conferência Episcopal Italiana, em janeiro deste ano. Atentos à escuta, mas sobretudo que se “conte com alegria e verdade a beleza de se amar Deus mantendo fé a este primeiro amor, tornando-se semeadores de esperança”.

É preciso estar atento a realidade, entender este momento e buscar uma reação, recomeçar a partir de Jesus Cristo. Nos colocar diante de D’Ele, com a pergunta: Senhor, que queres que eu faça?

“Mostra-me, Senhor, os teus caminhos” Sl 25,4

Padre Miguel Donizete Garcia
Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora da Assunção

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