Coreia: bispos apoiam campanha pelo fim das centrais nucleares

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Não construir novas centrais nucleares, desativar os velhos reatores, cessar a exportação de conhecimentos tecnológicos nesta matéria. Estas são as principais recomendações contidas na petição lançada há algumas semanas ao governo da Coreia do Sul, pela organização Solidariedade Católica, que congrega associações comprometidas com as causas ambientais.

Iniciativa apoiada pela Conferência Episcopal

O texto, de apenas uma página, já foi assinado por milhares de pessoas e organismos, incluindo a Conferência Episcopal Coreana. O objetivo é conseguir 1 milhão de assinaturas, o que é possível, considera o Bispo emérito de Andong, Dom René Dupont.

Em declarações ao jornal francês “La Croix”, o prelado afirmou existir “um consenso geral sobre a questão nuclear. Todos os partidos políticos e todas as Igrejas estão de acordo em relação à redução de seu uso”.

A posição do episcopado católico coreano, não é outro do que a natural consequência de uma série de tomadas de posição contra a energia nuclear ocorridas nos últimos anos.

Debates sobre o tema

Há meses a opinião pública coreana interroga-se sobre a segurança das instalações nucleares e sobre a oportunidade de seguir pelo caminho das energia renováveis, especialmente a partir de 12 de setembro de 2016, quando dois abalos sísmicos de 5,1 e 5,8 graus na Escala Richter, obrigaram a interrupção temporária das atividades de quatro reatores da Central de Wolsong, Província de Gyeingsang.

Desde então, as iniciativas contra o uso da energia nuclear multiplicaram-se. Em particular, alguns dias após o terremoto, cerca de 60 militantes cristãos coreanos e japoneses fizeram uma peregrinação de Busan – local onde está o reator mais antigo do país – até Samcheok, onde novos estão em construção.

Bispos pedem abolição universal do nuclear

A peregrinação – a primeira do gênero na Coreia – teria sido financiada pelo Comitê Episcopal coreano para a Ecologia e o Ambiente e pela Conferência Episcopal Japonesa, segundo refere a Ucanews.

O apoio desta última não surpreende, visto que em 11 de novembro de 2016, os bispos japoneses haviam publicado uma declaração na qual pediam a abolição universal da energia nuclear.

“Aquilo que o Japão sofreu depois do desastre de Fukushima – escrevem – nos convence sobre a necessidade de informar o mundo inteiro dos perigos da energia nuclear e de pedir a sua abolição universal”.

O apelo do Solidariedade Católica contra o nuclear é dirigido, sobretudo, aos candidatos às próximas eleições presidenciais.

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