CONSTRUIR UM PROJETO NOVO DE SOCIEDADE

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Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

Nos tempos atuais, a Igreja Católica tem tratado temáticas especiais durante tempos específicos, a exemplo do Ano da Misericórdia, já realizado em âmbito internacional, e o Ano Mariano, ora em curso, no Brasil. Neste Ano Mariano, que se estenderá até o próximo dia 12 de outubro, celebramos os 300 anos do encontro da humilde imagem da Imaculada Conceição, nas águas do Rio Paraíba do Sul, que passou a ser amplamente venerada como Nossa Senhora Aparecida.
Essa imagem da mãe de Jesus não é adorada pelos católicos. Ela é, simplesmente, venerada em recordação a Maria de Nazaré, que disse seu “sim” a Deus, em resposta à escolha para ser mãe do Salvador, mantendo-se fiel à missão que lhe foi confiada. Em Jesus, Deus evidenciou seu amor incondicional à humanidade e permeou de amor nossa convivência social. Por meio dele deu-se início uma nova humanidade, habitada pelo amor divino.
Ele necessitou compreender a divindade de sua identidade e missão. Maria cumpriu um papel educativo fundamental na vida de Jesus para tal discernimento. O amor de Jesus a Deus Pai e aos demais advêm da experiência de amor vivida no “colo” e no lar de Maria, também entre os pobres a quem ela e ele se colocaram a serviço. Após tantos acontecimentos reveladores da ação de Deus em Maria, do alto da cruz Jesus a confiou aos seus discípulos e os confiou a ela.
O evangelista João dá testemunho a esse respeito: “Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: ‘Mulher, eis aí o seu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí a sua mãe’. Dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,26-27). João, esse discípulo que Jesus amava, representa todos os que creem em Jesus. A casa citada por ele como lugar de acolhida de Maria é a Igreja. Desde então, Maria se tornou mãe da Igreja.
Embora Maria seja humana como todos, é exemplo de fé e testemunha das graças concedidas por Deus a quem crê. Cremos em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, revelado como tal conforme as Sagradas Escrituras. A esse Deus, exclusivamente, adoramos. Os que nos acusam, portanto, de idolatria por venerar a Maria, se equivocam. Nossa veneração a ela nos ajuda a viver a fé no Deus verdadeiro. Nossa espiritualidade cristã católica merece, portanto, respeito e valorização.
Jesus Cristo é a expressão visível de Deus verdadeiro. A salvação universal oferecida por ele é, inclusive, a razão da Igreja ser chamada Católica. O termo católico vem do grego; significa universal. Ele é aplicado à Igreja, pois a salvação em Jesus Cristo, da qual a Igreja é sinal e instrumento, é universal, ou seja, para todos. O que é, neste caso, salvação? De modo breve, é a comunhão dos seres humanos em Deus e tudo o que isso implica historicamente.
A Igreja, no Ano da Misericórdia, compassiva com os que sofrem, especialmente por causa das injustiças e conflitos sociais, lançou um amplo convite a iniciativas de solidariedade e reconciliação. Neste Ano Mariano, celebrado no Brasil, a Igreja relança o convite a todas as pessoas de boa vontade, para construirmos juntos um projeto novo de sociedade, na qual o respeito a todos e os direitos de todos serão assegurados. Que nossa resposta seja inspirada no “sim” de Maria.

Jales, 30 de junho de 2017

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