Bíblia e Profecia

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O mês de setembro chega ao fim, mas nos deixa a primavera florida e também sinais de chuvas, uma bênção pela qual nossa natureza suspira. Dia 30, festejamos São Jerônimo, que dedicou-se à tradução da Bíblia a partir dos textos originais e à revisão da antiga versão latina, língua falada no mundo de sua época (século V). Abrem-se as portas do mês de outubro, o mês das missões, apresentando-nos realidades que precisam de muita luz para se compreender e definir novas lutas a serem travadas.
A Procuradoria Geral da República entregou ao Supremo Tribunal Federal novas denúncias contra Temer para abrir inquérito e já encaminhadas ao Congresso. Outubro tem agenda cheia. E segue a ladainha… Lula, Aécio, Dirceu, Palocci, Odebrecht, reforma da previdência, especulações sobre a educação, a saúde agonizante, o orçamento com cortes estupendos no Ministério do Desenvolvimento Social, a guerra no Rio, a guerra dos norte-americanos.
A Palavra de Deus deve nos inspirar a um comportamento capaz de construir uma Nova Civilização. No entanto, a mesma Bíblia acaba sendo usada para alienar as pessoas. Já dizia Marx: “ a religião é ópio do povo”. No tempo de Jesus, os debates se davam com os escribas, fariseus, sacerdotes do templo, e anciãos do povo, que chegaram ao ponto de, raivosamente, articularem sua condenação à morte.
É preciso permitir que o Espírito Santo nos ilumine na escuta da Palavra de Deus, de tal modo que possamos enxergar do mesmo jeito que Jesus. Ele nos dá os parâmetros de seu ensinamento através das bem-aventuranças (Mt 5,1-8). Deus tem uma predileção pelos mais sofridos, marginalizados, os pobres. Deus não tem pátria. Seu amor se estende a toda a humanidade.
Certamente o mundo deve sentir-se desafiado a ter uma nova postura de sua religião. A parábola do Pai que chama os filhos para trabalharem na sua vinha. Faz a vontade do pai aquele que disse não, entretanto levantou-se e foi trabalhar (Mt 21,28-32). “Não é aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ que entrará no Reino dos céus, mas aquele que ouve a palavra de Deus e a põe em prática. ” (Mt 7,21). A grande tentação de nosso tempo é pautar a vida em vista de obter os bens a qualquer custo. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro “Mt 6,24).
Vivemos tempos de discursos bonitos, agradáveis aos ouvidos, de apresentações belas para os olhos, no entanto de pouco compromisso com a bondade, com a generosidade, com o serviço à construção de uma sociedade onde prevaleça o amor, a justiça, a dignidade para todos.
Então, o mundo atual vive novas escravidões, novas exclusões, novas discriminações. A Palavra de Deus será eficaz se for proclamada como faziam os profetas, insistindo na necessidade da conversão.
Em vez de guerra para dominação, os líderes precisam construir caminhos de paz. Em vez de ódio e atitudes fratricidas, devemos buscar soluções de solidariedade com os mais vulneráveis. Pensando nas situações concretas da cidade, que contribuições cada comunidade, cada Igreja, cada movimento, cada organização social, cada instituição, cada entidade pode oferecer para enfrentar os desafios no mundo urbano?
Multipliquemos grupos ativos na prática da solidariedade e encontraremos caminhos de uma nova Civilização. Essa é a grande missão.

Padre Antônio de Jesus Sardinha.
Vigário Geral da Diocese de Jales

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