ACOLHER COM BRAÇOS ABERTOS

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Ir. Erta Lemos, mscs – Pastoral dos Migrantes da Diocese de Jales

Celebrando o Dia Nacional dos Migrantes e Refugiados, 24 de junho, lembramos que o Papa Francisco está insistindo para que todos mantenham os braços abertos para acolher as pessoas que estão fora de sua terra natal por motivos de pobreza extrema, perseguição com risco de vida ou necessidade de encontrar melhores condições de vida para si e seus familiares. Ele exorta, com autoridade, a não ter medo de partilhar o dia a dia e a esperança com os imigrantes, migrantes e refugiados que chegam com sua história, cultura, valores e força de trabalho. 

No mundo, o número de pessoas que vivem fora de seu país ultrapassa os 244 milhões. O Brasil conta com apenas 1% deste contingente em relação à sua população. A história do Brasil está permeada de grandes fluxos de imigrantes, como os italianos, japoneses no final do século IXX, e recentemente, movimentos menores de imigrantes como os Haitianos, Angolanos e Venezuelanos. Atualmente, na região centro-oeste de São Paulo, estão mais significativamente presentes os Maranhenses e Piauienses que trabalham como sazonais e na construção civil.

Em algumas cidades do noroeste paulista, os migrantes sentem certa dificuldade de integração na comunidade religiosa e na sociedade. Eles experimentam a xenofobia que torna sua vida ainda mais difícil e desafiante.

Migrar é um direito humano pouco respeitado. A história do povo de Deus é uma história de migração. O pai da fé, Abraão, migrou várias vezes até chegar à terra prometida. Deus ama o migrante: “Não afligirás nem envergonharás o migrante” (Ex 22,20). O Novo Testamento também incentiva o bom acolhimento da pessoa que vive ou está fora de seu habitat natural. Jesus valoriza a fé dos que não pertencem ao seu povo: “Mulher, que fé tão grande tens” (Mt 15,28). “Nem sequer em Israel encontrei fé semelhante” (Lc 7,9).

Como se não bastasse, Jesus se identifica com o migrante a tal ponto que o torna critério de salvação: “Vinde, bendito de meu Pai, pois Eu era migrante e vós me acolhestes” (Mt 25,35). A fé se torna fecunda quando se transforma em atos de solidariedade para com os mais vulneráveis.

Daquele que crê, espera-se mais do que oração e piedade. É necessário interiorizar o que disse São Tiago em sua carta: “Mostra-me tua fé sem obras, e eu te mostrarei pelas obras a minha fé” (Tg 2,18). Os migrantes e refugiados são pessoas, em sua maioria, proativos. Estão dispostos ao trabalho, por mais duro que este seja, para dar melhores condições de vida à sua família. Como disse o Papa Francisco, a Igreja é chamada a acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e refugiados, pois o próprio Jesus se identifica com eles.

Portanto, mãos à obra. Do mesmo modo que desejamos ser acolhidos, acolhamos aqueles que chegam trazendo a novidade de uma cultura diferente que enriquece a nossa com seus valores. Os migrantes ajudam a alargar a tenda interior daqueles que amam!

Fernandópolis, 21 de junho de 2018.

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