30 anos da Pastoral da Criança - Diocese de Jales

30 anos da Pastoral da Criança

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Criada em 1983, pelo empenho da médica sanitarista Zilda Arns Neumann e do então arcebispo de Londrina (PR) e hoje cardeal arcebispo emérito de Salvador (BA), dom Geraldo Majella Agnelo, na cidade de Florestópolis (PR), a Pastoral da Criança é reconhecida como uma das mais importantes organizações do mundo a trabalhar em programas voltados ao desenvolvimento integral das crianças desde o ventre materno até os seis anos de idade. Além de ampla presença no Brasil. Ao comemorar 30 anos, a Pastoral da Criança está presente em 21 países.

O Atual coordenador nacional adjunto e coordenador internacional da Pastoral da Criança, o médico Nelson Arns Neumann, afirma que ao completar três décadas a Pastoral tem muito a comemorar. “Nosso país, de fato, mudou. A Pastoral da Criança nasceu com a motivação muito forte de combater a mortalidade infantil a desnutrição e isso de fato diminuiu muito nesse período”, afirma.

O médico reconhece que houve uma grande mudança no jeito de o Brasil ver a saúde. “Quando a Pastoral da Criança foi criada, o acesso aos serviços de saúde era apenas para quem podia pagar, para os previdenciários do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), que tinham acesso ao serviço de saúde gratuito, e aqueles que eram atendidos pelas santas casas, os chamados ‘indigentes’. Apenas depois da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) que começa a existir a compreensão de que todos têm direito à saúde”, conta.

Nelson Arns também ressalta que a Pastoral da Criança mostrou que a saúde depende muito da família e dos cuidados que a criança recebe em casa. “Tínhamos uma organização do serviço de saúde totalmente baseado em hospitais, ambulatórios e médicos e, de repente, vem a Pastoral da Criança e prova que a medicina comunitária e a prevenção são capazes de fazer muito e em algumas vezes até mais do que o próprio sistema de saúde. Não existe sistema de saúde que substitua o papel da mãe e os cuidados que ela dá para seus filhos”.

Receitas simples – A Pastoral da Criança se destacou no país ao popularizar fórmulas simples e eficazes de se combater a desnutrição e a mortalidade infantil. A mais famosa dela é a multimistura, servida como complemento ou suplemento alimentar, geralmente composta por farelos, sementes, pó de folhas e cascas de ovos, aproveitando os alimentos regionais disponíveis. Os agentes da pastoral ensinam as mães a preparar este complemento em sua própria casa.

Outra medida simples e que causou um impacto positivo na saúde das crianças é o soro caseiro, eficaz no combate à diarreia. “Quando me formei em medicina, há 25 anos, das 14 vagas da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Clínicas de Curitiba (PR), 10 eram destinadas a crianças com desidratação. Hoje não há mais esses casos, porque a mãe aprendeu a lidar com esse problema por meio do soro”, conta Nelson.

Outra campanha simples foi a do “Dormir de barriga para cima é mais seguro”, que orientava as mães quanto à posição mais indicada para as crianças dormirem. “Uma atitude simples como esta pode evitar até três mil mortes por ano no Brasil. Mas ainda de cada cinco mães, quatro colocam na posição errada”, alerta Nelson Arns.

A longo prazo – A metodologia utilizada pela Pastoral da Criança para resolver problemas imediatos como a desnutrição e mortalidade infantil também servem para conduzir a saúde durante toda a vida de uma pessoa, para que tenha não só uma primeira infância, mas também uma velhice saudável. Por isso, os agentes da pastoral ajudam as mães a prestarem a atenção no que eles chamam de primeiros mil dias da criança, da concepção até completar 2 anos de idade.

“Neste período, a maneira que a criança se desenvolve na barriga da mãe e nos dois primeiros anos vão determinar se essa criança vai ser um idoso frágil ou não. Porque hipertensão, diabetes, obesidade, osteoporose, problemas cardíacos e renais já estão presentes na maneira como a criança cresceu no útero e na forma que ela foi alimentada nos primeiros dois anos de vida a ponto de prever que uma criança que nasce com baixo peso vai ser um adulto que terá o dobro de chances de usar remédios para controlar a pressão arterial”, salienta o coordenador nacional.

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